Texto associado Em Tiriyó, imenu quer dizer “desenho” ou “pintura”,…
Gabarito: A
A questão aborda a dimensão estética e sociopolítica da arte indígena na região norte amazônica. O texto destaca que diferentes povos (Tiriyó, Kaxuyana, Wayana, Aparai e Wajãpi) compartilham padrões gráficos e nomenclaturas semelhantes para suas produções visuais. Essa semelhança ou recorrência de formas geométricas, aplicadas em diversos suportes como pele e papel, é um indicador de que essas culturas não vivem em isolamento, mas participam de uma rede complexa de trocas e diálogos culturais.
Enunciado
Texto associado Em Tiriyó, imenu quer dizer “desenho” ou “pintura”, mas também “jenipapo” ( menu ), planta que fornece uma das principais matérias-primas utilizadas na produção de tintas e corantes. Imenu diz respeito aos desenhos de formas geométricas que se aplicam sobre os mais variados suportes: da pele ao papel, passando pelos artefatos. A isso que os Tiriyó definem como imenu , em sua própria língua, os Kaxuyana chamam de imenuru . Observando as artes gráficas dos povos da região que vai do Amapá ao norte do Pará, é possível observar que muitos dos padrões que compõem o repertório tiriyó são recorrentes entre os Kaxuyana, os Wayana, os Aparai e os Wajãpi. Também encontramos padrões semelhantes entre os Waiwa e outros grupos do norte amazônico. GRUPIONE, D. F. Arte visual dos povos Tiriyó e Kaxuyana: padrões de uma estética ameríndia. São Paulo: lepé, 2009 (adaptado). Entre os grupos indígenas do norte amazônico, as recorrências nas criações gráficas revelam a
Alternativas
- A)
dinâmica cultural no intercâmbio de padrões visuais.
Resposta correta - B)
criação de técnicas gráficas como concorrência na produção da arte.
- C)
incorporação de desenhos figurativos na produção de novos artefatos.
- D)
relação de poder de um grupo sobre outro por meio do domínio de grafismos.
- E)
acumulação de repertório gráfico como forma de prestígio entre as etnias dessa região.
Resolução comentada
GABARITO: A
A questão aborda a dimensão estética e sociopolítica da arte indígena na região norte amazônica. O texto destaca que diferentes povos (Tiriyó, Kaxuyana, Wayana, Aparai e Wajãpi) compartilham padrões gráficos e nomenclaturas semelhantes para suas produções visuais. Essa semelhança ou recorrência de formas geométricas, aplicadas em diversos suportes como pele e papel, é um indicador de que essas culturas não vivem em isolamento, mas participam de uma rede complexa de trocas e diálogos culturais.
Ao observar que os padrões são recorrentes entre grupos de uma mesma região, conclui-se que existe um intercâmbio de saberes e estéticas. Esse movimento de circulação de padrões visuais compõe o que o texto define como uma dinâmica cultural, na qual a arte serve como um elemento de conexão e reconhecimento entre as etnias.
- Correta. As semelhanças citadas no texto demonstram o compartilhamento de repertórios visuais entre diferentes etnias, o que caracteriza o intercâmbio e a vitalidade das dinâmicas culturais na região.
- Incorreta. O aluno substitui a lógica de partilha cultural por uma lógica de mercado. Por exemplo: o aluno interpreta que a existência de padrões semelhantes entre 5 etnias indica uma disputa ou concorrência na produção artística, em vez de um patrimônio estético compartilhado.
- Incorreta. O aluno comete um erro de classificação de estilo visual. Por exemplo: o aluno troca o conceito textual de 'formas geométricas' (abstração) pelo conceito de 'desenhos figurativos' (representação de figuras), ignorando a descrição específica do texto sobre a natureza dos grafismos.
- Incorreta. O aluno projeta uma hierarquia política sobre a produção estética. Por exemplo: o aluno assume que a semelhança nos padrões visuais resulta de uma relação de poder ou domínio de um grupo sobre outro, em vez de reconhecer o intercâmbio horizontal e a convivência cultural.
- Incorreta. O aluno confunde o propósito da arte com uma contabilidade de status. Por exemplo: o aluno interpreta o compartilhamento de padrões como uma 'acumulação de repertório' para obtenção de prestígio, tratando a cultura como uma soma individualista de ativos em vez de uma identidade coletiva regional.