Texto associado TEXTO I Fazendeiro branco, escravo negro: a imagem…
Gabarito: A
O debate proposto pelos textos gira em torno da gênese do racismo na modernidade, especialmente no contexto das Américas. O Texto I, de Demétrio Magnoli, apresenta uma visão de que a escravidão foi primordialmente um sistema econômico universal, minimizando o fator racial ao afirmar que pessoas de todas as cores escravizaram outras de todas as cores ao longo da história. Já o Texto II, de Hebe Mattos, rebate essa ideia ao defender que, na experiência atlântica, a escravidão não foi apenas econômica, mas fundadora de um racismo estrutural. O posicionamento crítico de Mattos baseia-se na ideia de que as categorias raciais (como "negreiro" ou "pessoas de cor") foram construídas historicamente para justificar e manter o domínio social, mesmo para aqueles que ascendiam economicamente.
Enunciado
Texto associado
TEXTO I
Fazendeiro branco, escravo negro: a imagem icônica produz a ilusão de que a escravidão moderna foi um sistema de dominação racial. De fato, porém, foi um sistema econômico. A escravidão acompanhou a humanidade durante milênios. Nas mais diferentes sociedades, inclusive na África, gente de todas as cores escravizou gente de todas as cores. O capitalismo mercantil acelerou a produção e o comércio de incontáveis mercadorias — e, também, de escravos. Na sua moldura, o tráfico atlântico forneceu africanos escravizados para as Américas.
MAGNOLI, D. Uma ilusão de cor. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 9 nov. 2021 (adaptado).
TEXTO II
O que nasceu primeiro, a escravidão ou o racismo? O tema é complexo, mas há consenso de que o racismo estrutural na Afro-América é consequência da escravidão atlântica. No Brasil, o racismo foi inscrito na própria linguagem, que definia o comércio de escravizados como tráfico “negreiro” e qualificava a maioria de livres não brancos como pessoas “de cor”. Existiam como sujeitos racializados mesmo quando conseguiam ter acesso a algum capital econômico e simbólico para lutar contra o racismo, até mesmo quando se tornavam senhores (ou senhoras) de escravos.
MATTOS, H. O negacionismo como erudição. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 9 nov. 2021 (adaptado).
No Texto II, o posicionamento crítico ao argumento presente no Texto I sobre a relação entre escravidão africana e racismo na América colonial baseia-se no seguinte aspecto:
Alternativas
- A)
Historicidade étnica.
Resposta correta - B)
Veracidade filosófica.
- C)
Similaridade cultural.
- D)
Responsabilidade ética.
- E)
Espacialidade patrimonial.
Resolução comentada
O debate proposto pelos textos gira em torno da gênese do racismo na modernidade, especialmente no contexto das Américas. O Texto I, de Demétrio Magnoli, apresenta uma visão de que a escravidão foi primordialmente um sistema econômico universal, minimizando o fator racial ao afirmar que pessoas de todas as cores escravizaram outras de todas as cores ao longo da história. Já o Texto II, de Hebe Mattos, rebate essa ideia ao defender que, na experiência atlântica, a escravidão não foi apenas econômica, mas fundadora de um racismo estrutural. O posicionamento crítico de Mattos baseia-se na ideia de que as categorias raciais (como "negreiro" ou "pessoas de cor") foram construídas historicamente para justificar e manter o domínio social, mesmo para aqueles que ascendiam economicamente.
A alternativa (A) está correta porque o Texto II enfatiza como o racismo foi "inscrito na própria linguagem" e na organização social da América colonial e do Brasil, tratando a identidade étnico-racial como um produto de um processo histórico específico (a escravidão atlântica), e não como algo natural ou meramente acessório à economia.
- Alternativa A: Correta. O texto II foca no processo de racialização como um fenômeno datado e situado, ou seja, na historicidade das identidades étnicas no contexto escravagista americano.
- Alternativa B: Incorreta. O aluno atribui peso total à busca por uma verdade universal e abstrata (filosófica) em vez de para o debate historiográfico concreto. A discussão não é sobre a "verdade" em si, mas sobre como os processos sociais são interpretados.
- Alternativa C: Incorreta. O aluno realiza uma operação de soma de termos comuns (citação de escravidão em ambos os textos) e ignora a subtração das divergências conceituais. Por exemplo: o aluno considera que (similares) em vez de notar que o Texto II é um contraponto direto ao Texto I.
- Alternativa D: Incorreta. O aluno foca apenas no julgamento moral do sistema (responsabilidade ética) e esquece a análise sociológica da formação de identidades. O erro é quantificar o debate como moralidade em vez de construção histórica .
- Alternativa E: Incorreta. O aluno isola a expressão "capital econômico" mencionada no Texto II e a multiplica por uma importância indevida, obtendo um foco em patrimônio que não é o ponto central da crítica de Mattos. Ele calcula de relevância para a posse de bens em vez de focar na racialização do sujeito.