Texto associado No cemitério, a sociedade religiosa encarregada do…
Gabarito: C
O texto descreve o clima de terror e repressão que cercou o sepultamento do jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo. O episódio é um marco histórico porque a versão oficial de suicídio foi contestada pela sociedade civil, transformando o velório em um ato de resistência democrática. A atmosfera descrita — de jornalistas amedrontados, rituais apressados e falas em voz baixa — evidencia a institucionalização de um aparato repressivo estatal que utilizava a tortura e o assassinato para eliminar opositores políticos e silenciar críticas ao regime militar.
Enunciado
Texto associado
No cemitério, a sociedade religiosa encarregada do funeral, aterrorizada, apressou a cerimônia de tal forma que a mãe de Herzog perdeu o momento em que o caixão do filho começou a ser coberto pela terra. Quatro jornalistas que estavam presos no DOI chegaram para assistir ao sepultamento. Um se afastara, chorando. Dizia: Eles matam, eles matam! Não pergunte nada. Não podemos dizer nada. Eles matam mesmo. Falava-se baixo. Ouviram-se dois curtos discursos. O primeiro, da atriz Ruth Escobar: Até quando vamos suportar tanta violência? Até quando vamos continuar enterrando nossos mortos em silêncio? No segundo, Audálio Dantas recitou o Navio negreiro, de Castro Alves: Senhor Deus dos desgraçados / Dizei-me Vós, Senhor Deus / Se é mentira, se é verdade, / Tanto horror perante os céus .
GASPARI, E. A ditadura encurralada. São Paulo: Cia. das Letras, 2004.
O acontecimento descrito no texto, ocorrido em meados dos anos 1970, atesta a seguinte característica do regime político-institucional vigente:
Alternativas
- A)
Incorporação da estética popular para justificar o ideal de integração nacional.
- B)
Afirmação da estratégia psicossocial para favorecer o objetivo de propaganda cívica.
- C)
Institucionalização de mecanismos repressivos para eliminar os focos de resistência.
Resposta correta - D)
Adoção de cerimoniais públicos para controlar as manifestações de grupos opositores.
- E)
Estatização de meios de comunicação para selecionar a divulgação de atos governamentais.
Resolução comentada
O texto descreve o clima de terror e repressão que cercou o sepultamento do jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo. O episódio é um marco histórico porque a versão oficial de suicídio foi contestada pela sociedade civil, transformando o velório em um ato de resistência democrática. A atmosfera descrita — de jornalistas amedrontados, rituais apressados e falas em voz baixa — evidencia a institucionalização de um aparato repressivo estatal que utilizava a tortura e o assassinato para eliminar opositores políticos e silenciar críticas ao regime militar.
Análise das alternativas:
- Incorreta. O aluno soma a presença de figuras da classe artística e literária para inferir uma política cultural oficial: . O erro pedagógico é confundir as manifestações de resistência cultural dos opositores com uma suposta política de integração nacional promovida pelo governo.
- Incorreta. O aluno multiplica o número de comunicadores e discursos citados para deduzir uma estratégia de propaganda: 4 (jornalistas) 2 (discursos) = 8 instrumentos de propaganda cívica. O erro consiste em interpretar a presença de jornalistas (que estavam ali como vítimas/testemunhas) como parte de uma máquina de convencimento psicossocial do Estado.
- Correta. O texto atesta a existência de órgãos como o DOI, citados diretamente, que eram o braço institucional da repressão. A morte de Herzog demonstra como o regime possuía mecanismos formais e clandestinos para eliminar focos de resistência, gerando o terror descrito no funeral.
- Incorreta. O aluno divide a natureza do evento pelo local de realização para concluir o controle estatal: 1 (cerimônia) / 1 (espaço público) = 1 mecanismo de controle de opositores. O erro é ignorar que a cerimônia foi organizada pela família e pela comunidade religiosa sob forte temor, e não pelo Estado como uma ferramenta deliberada de manejo da oposição.
- Incorreta. O aluno utiliza a condição de prisão dos profissionais da imprensa para generalizar a propriedade dos meios: . O erro pedagógico é confundir o cerceamento da liberdade de expressão e a censura (repressão sobre o profissional) com a estatização jurídica das empresas de comunicação.