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**TEXTO I** SILVEIRA, R. **In absentia**, 1983. Instalação, 17ª…

Gabarito: C

A questão propõe uma análise comparativa entre a instalação "In absentia" (1983), de Regina Silveira, e o conceito de ready-made introduzido por Marcel Duchamp com a obra "Roda de bicicleta" (1912). O cerne do diálogo reside na subversão do objeto artístico tradicional.

Enunciado

TEXTO I

SILVEIRA, R. In absentia, 1983. Instalação, 17ª Bienal de São Paulo. Disponível em: www.bienal.org.br. Acesso em: 1 set. 2016 (adaptado).

TEXTO II

O termo ready-made foi criado por Marcel Duchamp (1887-1968) para designar um tipo de objeto, por ele inventado, que consiste em um ou mais artigos de uso cotidiano, produzidos em massa, selecionados sem critérios estéticos e expostos como obras de arte em espaços especializados (museus e galerias). Seu primeiro ready-made, de 1912, é uma roda de bicicleta montada sobre um banquinho (Roda de bicicleta). Ao transformar qualquer objeto em obra de arte, o artista realiza uma crítica radical ao sistema da arte.

Disponível em: www.bienal.org.br. Acesso em: 1 set. 2016 (adaptado).

A instalação In absentia propõe um diálogo com o ready-made Roda de bicicleta, demonstrando que

Imagem 1 do enunciado — Português ENEM 2022

Alternativas

  • E)

    o objeto ausente sugere a degradação da forma superando o modelo artístico.

  • C)

    as criações desmistificam os valores estéticos estabelecidos.

    Resposta correta
  • D)

    o distanciamento temporal permite a transformação dos referenciais estéticos.

  • B)

    a recorrência de temas marca a arte do final do século XX.

  • A)

    as formas de criticar obras do passado se repetem.

Resolução comentada

A questão propõe uma análise comparativa entre a instalação "In absentia" (1983), de Regina Silveira, e o conceito de ready-made introduzido por Marcel Duchamp com a obra "Roda de bicicleta" (1912). O cerne do diálogo reside na subversão do objeto artístico tradicional.

Para compreender a relação entre as obras, devemos observar os seguintes pontos:

  • Deslocamento do objeto: Duchamp retira objetos de uso cotidiano de seu contexto funcional e os insere no museu, questionando o que define a arte.
  • A desmaterialização em Silveira: A artista brasileira radicaliza essa ideia ao representar apenas a sombra do ready-made duchampiano. Ao remover a presença física do objeto ("in absentia" significa "em ausência"), ela enfatiza a construção mental e conceitual da obra.
  • Crítica ao sistema: Ambas as obras desmistificam os valores estéticos tradicionais (beleza, manufatura artesanal, aura do objeto único) em favor da ideia e do contexto.

Análise das alternativas:

  • Incorreta. O aluno assume que a semelhança formal implica em estagnação histórica: 1912=19831912 = 1983. Por exemplo: o aluno ignora a evolução do suporte da escultura para a instalação e calcula que a estratégia de crítica permanece imóvel por 19831912=711983 - 1912 = 71 anos, obtendo a ideia de repetição em vez de diálogo transformador.
  • Incorreta. O aluno tenta quantificar a arte por meio da recorrência temática linear: 1 tema+1 tema=recorreˆncia1 \text{ tema} + 1 \text{ tema} = \text{recorrência}. Por exemplo: o aluno soma as datas e conclui que a arte do final do século XX é apenas uma retomada de temas passados, ignorando que o foco da obra é a linguagem e não o tema bicicleta, obtendo uma generalização indevida sobre a produção contemporânea.
  • Correta. Ao apropriar-se do ícone de Duchamp e reduzi-lo a uma sombra projetada, Regina Silveira reforça o caráter conceitual da arte, combatendo a noção de que a obra deve ser um objeto material dotado de estética clássica.
  • Incorreta. O aluno superestima o fator temporal como agente causal da mudança estética: Δt=71 anos    Transformac¸a˜o\Delta t = 71 \text{ anos} \implies \text{Transformação}. Por exemplo: o aluno calcula que o simples passar do tempo é o que permite a transformação dos referenciais, em vez de identificar a ação deliberada do artista sobre a tradição, obtendo uma interpretação determinista do distanciamento temporal.
  • Incorreta. O aluno interpreta a ausência física como um valor negativo ou perda de qualidade: 1 (objeto)1 (presenc¸a)=1 (degradac¸a˜o)1 \text{ (objeto)} - 1 \text{ (presença)} = -1 \text{ (degradação)}. Por exemplo: o aluno calcula que a falta do objeto real implica em uma falha da forma, obtendo a conclusão equivocada de que a obra sugere uma decadência do modelo artístico em vez de sua expansão conceitual.

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