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O escravo tinha de prover diretamente ao senhor e a si próprio no…

Gabarito: C

O texto do historiador João José Reis aborda a dinâmica dos escravos de ganho na Bahia do século XIX. Esses indivíduos, embora inseridos no regime de escravidão, atuavam no espaço urbano (ruas) realizando diversas atividades, como capoeira, adivinhação e fabricação de amuletos. O ponto central do texto é que essas práticas não eram apenas manifestações culturais, mas sim ocupações lucrativas que permitiam ao escravizado prover o sustento de seu senhor e o seu próprio, com o objetivo final de acumular pecúlio para a compra da alforria (liberdade). Portanto, essas práticas eram estratégias para aproveitar as fissuras ou frestas de um sistema opressor em busca de autonomia e mobilidade social.

Enunciado

O escravo tinha de prover diretamente ao senhor e a si próprio no ganho de rua. Do ganho dependia inclusive sua chance de comprar a liberdade. O próprio ganho vinha muitas vezes de fontes ocultas, do batuque, da capoeira, da adivinhação. Não eram poucos os escravos que viviam de adivinhar, curar feitiço ou fabricar amuletos muçulmanos, ocupações lucrativas que na Bahia favoreceram muitas alforrias.

REIS, J. J. Greve negra de 1857 na Bahia. Revista USP, n. 18, 1993 (adaptado)

Conforme descritas no texto, algumas práticas culturais afro-brasileiras atuais surgiram em nossa história como estratégias para

Alternativas

  • A)

    denunciar a rigidez da estrutura social.

  • B)

    expor a riqueza da herança africana.

  • C)

    aproveitar as frestas do sistema vigente.

    Resposta correta
  • D)

    contestar o preconceito da religião dominante.

  • E)

    incorporar a disciplina do trabalho compulsório.

Resolução comentada

O texto do historiador João José Reis aborda a dinâmica dos escravos de ganho na Bahia do século XIX. Esses indivíduos, embora inseridos no regime de escravidão, atuavam no espaço urbano (ruas) realizando diversas atividades, como capoeira, adivinhação e fabricação de amuletos. O ponto central do texto é que essas práticas não eram apenas manifestações culturais, mas sim ocupações lucrativas que permitiam ao escravizado prover o sustento de seu senhor e o seu próprio, com o objetivo final de acumular pecúlio para a compra da alforria (liberdade). Portanto, essas práticas eram estratégias para aproveitar as fissuras ou frestas de um sistema opressor em busca de autonomia e mobilidade social.

  • Incorreta. O aluno atribui um peso de 100% ao título do artigo (Greve negra) e ignora as evidências de ganho financeiro no corpo do texto. Por exemplo: o aluno interpreta as práticas como um manifesto político direto 100100 em vez de instrumentos de mobilidade econômica 00.
  • Incorreta. O aluno foca na origem étnica dos elementos citados e despreza a finalidade pragmática da ação descrita. Por exemplo: o aluno contabiliza o número de práticas mencionadas 44 e conclui que o objetivo é puramente a demonstração cultural 4/4=100%4/4 = 100\%, ignorando que o texto as vincula explicitamente à compra da alforria.
  • Correta. O texto demonstra que, ao realizar atividades lucrativas no ganho de rua, os escravizados encontravam espaços de autonomia financeira e social dentro da estrutura escravista, utilizando esses recursos para alcançar a liberdade.
  • Incorreta. O aluno interpreta o termo fontes ocultas como uma oposição religiosa binária. Por exemplo: o aluno associa amuletos muçulmanos a uma contestação direta +1+1 contra a religião dominante 1-1, resultando em um conflito doutrinário inexistente no foco socioeconômico do texto.
  • Incorreta. O aluno confunde a execução de tarefas com a aceitação da lógica servil. Por exemplo: o aluno observa que o escravo deve prover ao senhor e calcula que isso representa uma adesão total à disciplina do trabalho compulsório 1,01{,}0, em vez de perceber que o trabalho de rua era um meio autônomo para o fim da liberdade 0,00{,}0 de incorporação da disciplina.

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