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Já em 1901, um dos primeiros levantamentos sobre a situação da…

Gabarito: E

O texto apresenta um dado estatístico alarmante sobre a indústria têxtil paulista em 1901: a imensa maioria do operariado (72,74%72,74\%) era composta por mulheres e crianças. Naquele contexto histórico da Primeira República (1889-1930), o Brasil vivia o início de sua industrialização sem que houvesse qualquer legislação trabalhista nacional ou garantias sociais. Os industriais priorizavam a contratação desses grupos porque mulheres e crianças recebiam salários muito inferiores aos dos homens adultos e eram submetidas a condições de trabalho degradantes e jornadas exaustivas, evidenciando a total desproteção legal do trabalhador.

Enunciado

Já em 1901, um dos primeiros levantamentos sobre a situação da indústria no estado de São Paulo constata que as mulheres representavam cerca de 49,95% do operariado têxtil, enquanto que as crianças respondiam por 22,79%. Em outras palavras, 72,74% dos empregados têxteis eram mulheres e crianças. DEL PRIORE, M. (Org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2001 (adaptado). Os dados apresentados indicam que o cotidiano do trabalho industrial no início do século XX estava vinculado à

Alternativas

  • A)

    ampliação da mão de obra fabril.

  • B)

    limitação da jornada laboral.

  • C)

    exigência de qualificação profissional.

  • D)

    elevação da produtividade feminina.

  • E)

    ausência de direitos sociais.

    Resposta correta

Resolução comentada

O texto apresenta um dado estatístico alarmante sobre a indústria têxtil paulista em 1901: a imensa maioria do operariado (72,74%72,74\%) era composta por mulheres e crianças. Naquele contexto histórico da Primeira República (1889-1930), o Brasil vivia o início de sua industrialização sem que houvesse qualquer legislação trabalhista nacional ou garantias sociais. Os industriais priorizavam a contratação desses grupos porque mulheres e crianças recebiam salários muito inferiores aos dos homens adultos e eram submetidas a condições de trabalho degradantes e jornadas exaustivas, evidenciando a total desproteção legal do trabalhador.

Análise das alternativas:

  • Incorreta. O aluno interpreta a soma das porcentagens 49,95%+22,79%=72,74%49,95\% + 22,79\% = 72,74\% como um indicador de crescimento econômico ou expansão do mercado consumidor, em vez de focar na composição precária dessa mão de obra.
  • Incorreta. O aluno assume que a presença de crianças implicava uma proteção legal, calculando que a jornada seria dividida por 22 para acomodar o estudo, obtendo uma jornada teórica de 4 ou 6 horas, quando na verdade as jornadas eram livres de regulamentação e frequentemente ultrapassavam 12 horas.
  • Incorreta. O aluno associa erroneamente o setor têxtil a uma alta tecnologia que exigiria diplomas, operando sob a lógica de que 100%100\% dos operários precisariam de curso técnico, ignorando que crianças e mulheres eram contratadas justamente para tarefas repetitivas e não qualificadas.
  • Incorreta. O aluno confunde a alta proporção de mulheres (49,95%49,95\%) com um aumento na taxa de produtividade por hora, calculando uma eficiência multiplicada por um fator de gênero, quando o texto trata apenas de demografia laboral e exploração salarial.
  • Correta. A utilização massiva de mão de obra infantil (22,79%22,79\%) e feminina em regime de sub-remuneração é o principal sintoma da ausência de leis que regulamentassem o trabalho e protegessem o cidadão contra o abuso patronal no início do século XX.

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