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Quando a taxa de remuneração do capital excede substancialmente a…

Gabarito: A

O texto base refere-se à tese central de Thomas Piketty em O Capital no Século XXI. A lógica econômica apresentada estabelece que, quando a taxa de rendimento do capital (rr) é maior que a taxa de crescimento econômico (gg), ou seja, r>gr > g, a riqueza acumulada no passado (herança) cresce mais rápido do que a riqueza gerada pelo trabalho e pela produção atual. Nas democracias liberais modernas, um dos pilares de legitimação é a ideia de que a posição social de um indivíduo deve ser fruto de seu próprio esforço e talento — a meritocracia. Quando o patrimônio herdado torna-se o fator determinante do sucesso econômico, sobrepondo-se ao rendimento do trabalho, o fundamento ético do mérito é profundamente abalado, pois o ponto de partida individual passa a ser mais relevante do que a produtividade durante a vida.

Enunciado

Quando a taxa de remuneração do capital excede substancialmente a taxa de crescimento da economia, pela lógica, a riqueza herdada aumenta mais rápido do que a renda e a produção. Então, basta aos herdeiros poupar uma parte limitada da renda de seu capital para que ele cresça mais rápido do que a economia como um todo. Sob essas condições, é quase inevitável que a riqueza herdada supere a riqueza constituída durante uma vida de trabalho, e que a concentração do capital atinja níveis muito altos. PIKETTY, T. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014 (adaptado). Considerando os princípios que legitimam as democracias liberais, a lógica econômica descrita no texto enfraquece o(a)

Alternativas

  • C)

    eficácia da legislação.

  • E)

    eficiência dos mercados.

  • A)

    ideologia do mérito.

    Resposta correta
  • B)

    direito de nascimento.

  • D)

    ganho das financeiras.

Resolução comentada

O texto base refere-se à tese central de Thomas Piketty em O Capital no Século XXI. A lógica econômica apresentada estabelece que, quando a taxa de rendimento do capital (rr) é maior que a taxa de crescimento econômico (gg), ou seja, r>gr > g, a riqueza acumulada no passado (herança) cresce mais rápido do que a riqueza gerada pelo trabalho e pela produção atual. Nas democracias liberais modernas, um dos pilares de legitimação é a ideia de que a posição social de um indivíduo deve ser fruto de seu próprio esforço e talento — a meritocracia. Quando o patrimônio herdado torna-se o fator determinante do sucesso econômico, sobrepondo-se ao rendimento do trabalho, o fundamento ético do mérito é profundamente abalado, pois o ponto de partida individual passa a ser mais relevante do que a produtividade durante a vida.

  1. Correta. A lógica de r>gr > g demonstra que a acumulação patrimonial independente do trabalho ativo suplanta a renda do esforço individual. Isso invalida a promessa das democracias liberais de que o sucesso financeiro é um reflexo do mérito pessoal.
  2. Incorreta. O aluno inverte a direção da influência: se a herança (rr) supera o trabalho (gg), o aluno supõe que o texto descreve o enfraquecimento do que é favorecido. Operação errada: o aluno identifica a variável dominante rr (nascimento) e a marca como resposta, ignorando que o enunciado pede o que é enfraquecido pela predominância de rr.
  3. Incorreta. O aluno assume que a desigualdade é resultado de uma falha institucional direta (L=0L = 0) em vez de uma lógica inerente ao capitalismo descrita pelo autor. Operação errada: o aluno atribui o diferencial rg=4%r - g = 4\% a uma inexistência de leis, em vez de focar no princípio democrático lesionado.
  4. Incorreta. O aluno associa o termo capital exclusivamente ao setor financeiro e assume que o texto critica o lucro das empresas. Operação errada: o aluno foca no agente econômico (financeiras) que captura a taxa rr, confundindo quem ganha com o que a democracia liberal perde.
  5. Incorreta. O aluno confunde justiça social com eficiência alocativa. Operação errada: o aluno pressupõe que se há desigualdade, o mercado é ineficiente (E=0E = 0), mas a tese de Piketty argumenta que o mercado pode ser perfeitamente "eficiente" em termos econômicos e, ainda assim, gerar concentração extrema que fere princípios morais.

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