Reaprender a ler notícias Não dá mais para ler um jornal, revista ou…
Gabarito: C
O autor do texto discute a transformação da recepção da notícia na era digital. A tese central é que a objetividade jornalística absoluta é inexistente, uma vez que a visão de mundo de cada indivíduo é subjetiva. Portanto, o leitor não pode mais ser um receptor passivo da informação; ele deve transitar da dúvida inicial para uma investigação ativa.
Enunciado
Reaprender a ler notícias Não dá mais para ler um jornal, revista ou assistir a um telejornal da mesma forma que fazíamos até o surgimento da rede mundial de computadores. O Observatório da Imprensa antecipou isso lá nos idos de 1996 quando cunhou o slogan “Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito”. De fato, hoje já não basta mais ler o que está escrito ou falado para estar bem informado. É preciso conhecer as entrelinhas e saber que não há objetividade e nem isenção absolutas, porque cada ser humano vê o mundo de uma forma diferente. Ter um pé atrás passou a ser a regra básica número um de quem passa os olhos por uma primeira página, capa de revista ou chamadas de um noticiário na TV. Há uma diferença importante entre desconfiar de tudo e procurar ver o maior número possível de lados de um mesmo fato, dado ou evento. Apenas desconfiar não resolve porque se trata de uma atitude passiva. É claro, tudo começa com a dúvida, mas a partir dela é necessário ser proativo, ou seja, investigar, estudar, procurar os elementos ocultos que sempre existem numa notícia. No começo é um esforço solitário que pode se tornar coletivo à medida que mais pessoas descobrem sua vulnerabilidade informativa. Disponível em: www.observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 30 set. 2015 (adaptado). No texto, os argumentos apresentados permitem inferir que o objetivo do autor é convencer os leitores a
Alternativas
- A)
buscarem fontes de informação comprometidas com a verdade.
- B)
privilegiarem notícias veiculadas em jornais de grande circulação.
- C)
adotarem uma postura crítica em relação às informações recebidas.
Resposta correta - D)
questionarem a prática jornalística anterior ao surgimento da internet.
- E)
valorizarem reportagens redigidas com imparcialidade diante dos fatos.
Resolução comentada
O autor do texto discute a transformação da recepção da notícia na era digital. A tese central é que a objetividade jornalística absoluta é inexistente, uma vez que a visão de mundo de cada indivíduo é subjetiva. Portanto, o leitor não pode mais ser um receptor passivo da informação; ele deve transitar da dúvida inicial para uma investigação ativa.
A resolução da questão exige identificar o objetivo do autor ao apresentar seus argumentos:
- Identificar a premissa: O texto afirma que "não há objetividade e nem isenção absolutas".
- Identificar a solução proposta: É necessário ser "proativo, ou seja, investigar, estudar, procurar os elementos ocultos".
- Concluir o objetivo: Convencer o leitor a adotar uma postura crítica e analítica diante do que consome.
Análise das alternativas:
- Incorreta. Operação de generalização indevida: O aluno confunde a proatividade do leitor com a existência de uma fonte detentora de uma "verdade absoluta". Por exemplo: o aluno ignora o trecho que diz que cada ser humano vê o mundo de forma diferente e assume que a investigação serve para achar uma verdade pronta, em vez de construir uma percepção crítica.
- Incorreta. Operação de foco no suporte material: O aluno prioriza os exemplos citados (jornais e revistas) em detrimento da mudança de comportamento sugerida. Por exemplo: o aluno interpreta as referências aos meios tradicionais como uma validação de autoridade destes, ignorando que o autor afirma que esses meios também não devem ser lidos da mesma forma.
- Correta. O texto incita o leitor a ser proativo e investigar os "elementos ocultos" e os diversos lados de um fato, o que caracteriza a adoção de uma postura crítica.
- Incorreta. Operação de deslocamento temporal: O aluno foca na menção histórica a 1996 como o objeto de crítica. Por exemplo: o aluno supõe que o texto visa atacar o passado, quando o autor utiliza o slogan antigo apenas como um marco para reforçar a necessidade de mudança de atitude no presente tecnológico.
- Incorreta. Operação de negação da premissa textual: O aluno substitui a afirmação "não há isenção" pelo desejo de "imparcialidade". Por exemplo: o aluno desconsidera a frase "não há objetividade e nem isenção absolutas" e projeta uma valorização da imparcialidade que o autor considera impossível, errando ao não perceber que a solução proposta é a proatividade do leitor e não a perfeição do redator.