Descobrimento Abancado à escrivaninha em São Paulo Na minha casa da…
Gabarito: C
O poema "Descobrimento", de Mário de Andrade, é um marco da reflexão modernista sobre a identidade nacional. O título ironiza o "descobrimento" oficial de 1500, transpondo a descoberta para o plano subjetivo e intelectual de um paulistano "abancado à escrivaninha". A ironia reside no fato de que o Brasil real — representado pelo seringueiro no Norte — é descoberto por meio da literatura e da introspecção, evidenciando o abismo geográfico e social entre o intelectual urbano e o trabalhador rural. A conclusão "Esse homem é brasileiro que nem eu" sela a construção de uma nacionalidade que tenta integrar as diversidades regionais sob um mesmo sentimento de pertencimento.
Enunciado
Descobrimento Abancado à escrivaninha em São Paulo Na minha casa da rua Lopes Chaves De supetão senti um friúme por dentro. Fiquei trêmulo, muito comovido Com o livro palerma olhando pra mim. Não vê que me lembrei lá no norte, meu Deus! [Muito longe de mim, Na escuridão ativa da noite que caiu, Um homem pálido, magro de cabelo escorrendo [nos olhos, Depois de fazer uma pele com a borracha do dia, Faz pouco se deitou, está dormindo. Esse homem é brasileiro que nem eu... ANDRADE, M. Poesias completas. Belo Horizonte: Villa Rica, 1993. O poema modernista de Mário de Andrade revisita o tema do nacionalismo de forma irônica ao
Alternativas
- A)
referendar estereótipos étnicos e sociais ligados ao brasileiro nortista.
- B)
idealizar a vida bucólica do norte do país como alternativa de brasilidade.
- C)
problematizar a relação entre distância geográfica e construção da nacionalidade.
Resposta correta - D)
questionar a participação da cultura autóctone na formação da identidade nacional.
- E)
propalar uma inquietação desfavorável quanto à aceitação das diferenças socioculturais.
Resolução comentada
O poema "Descobrimento", de Mário de Andrade, é um marco da reflexão modernista sobre a identidade nacional. O título ironiza o "descobrimento" oficial de 1500, transpondo a descoberta para o plano subjetivo e intelectual de um paulistano "abancado à escrivaninha". A ironia reside no fato de que o Brasil real — representado pelo seringueiro no Norte — é descoberto por meio da literatura e da introspecção, evidenciando o abismo geográfico e social entre o intelectual urbano e o trabalhador rural. A conclusão "Esse homem é brasileiro que nem eu" sela a construção de uma nacionalidade que tenta integrar as diversidades regionais sob um mesmo sentimento de pertencimento.
- Incorreta. O aluno aplica a soma (descrição física) + (origem regional) = (preconceito). Por exemplo: o aluno calcula o valor dos termos 'pálido' e 'magro' como se fossem caricaturas depreciativas em vez de marcas do desgaste do trabalho, obtendo a ideia de que o poema referenda estereótipos étnicos e sociais.
- Incorreta. O aluno realiza a operação (região Norte) + (distância geográfica) = (bucolismo). Por exemplo: o aluno processa a menção ao Norte como uma variável de 'natureza intocada' e subtrai o elemento 'borracha do dia' (trabalho extrativista), resultando na interpretação de uma vida bucólica idealizada.
- Correta. O poema utiliza a distância entre São Paulo e o Norte para mostrar que a identidade nacional é uma construção que deve superar as barreiras físicas e as diferenças de classe, unindo o intelectual e o trabalhador braçal.
- Incorreta. O aluno executa a substituição (trabalhador regional) = (cultura indígena). Por exemplo: o aluno troca a figura do seringueiro pela noção de 'cultura autóctone', obtendo o questionamento da formação nacional por base estritamente indígena, o que não é o foco do poema.
- Incorreta. O aluno atribui o coeficiente -1 à sensação de 'friúme' e 'comoção' do narrador. Por exemplo: o aluno calcula (impacto emocional) como se fosse uma (rejeição às diferenças), obtendo uma inquietação desfavorável em vez de um reconhecimento de alteridade.