É preciso usar de violência e rebater varonilmente os apetites dos…
Gabarito: E
O texto de Thomas de Kempis, pertencente à obra "Imitação de Cristo" (século XV), é um exemplo clássico da espiritualidade cristã da Baixa Idade Média, especificamente da Devotio Moderna. O fragmento foca no conceito de ascetismo, que é a prática da renúncia aos prazeres sensoriais e da mortificação do corpo como meio para atingir a perfeição espiritual. O autor utiliza uma linguagem de conflito ("violência", "castigá-la", "curvá-la") para descrever a relação entre o espírito e a carne, estabelecendo que a materialidade corpórea é um empecilho que deve ser subjugado para que a alma se aproxime de Deus. Portanto, o texto destaca a desvalorização do corpo em favor da primazia do espírito.
Enunciado
É preciso usar de violência e rebater varonilmente os apetites dos sentidos sem atender ao que a carne quer ou não quer, mas trabalhando por sujeitá-la ao espírito, ainda que se revolte. Cumpre castigá-la e curvá-la à sujeição, a tal ponto que esteja disposta para tudo, sabendo contentar-se com pouco e deleitar-se com a simplicidade, sem resmungar por qualquer incômodo.
KEMPIS, T. Imitação de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2015.
Qual característica do ascetismo medieval é destacada no texto?
Alternativas
- A)
Exaltação do ritualismo litúrgico.
- B)
Afirmação do pensamento racional.
- C)
Desqualificação da atividade laboral.
- D)
Condenação da alimentação impura.
- E)
Desvalorização da materialidade corpórea.
Resposta correta
Resolução comentada
O texto de Thomas de Kempis, pertencente à obra "Imitação de Cristo" (século XV), é um exemplo clássico da espiritualidade cristã da Baixa Idade Média, especificamente da Devotio Moderna. O fragmento foca no conceito de ascetismo, que é a prática da renúncia aos prazeres sensoriais e da mortificação do corpo como meio para atingir a perfeição espiritual. O autor utiliza uma linguagem de conflito ("violência", "castigá-la", "curvá-la") para descrever a relação entre o espírito e a carne, estabelecendo que a materialidade corpórea é um empecilho que deve ser subjugado para que a alma se aproxime de Deus. Portanto, o texto destaca a desvalorização do corpo em favor da primazia do espírito.
- Incorreta. O aluno confunde a disciplina espiritual interna com as cerimônias externas da Igreja. Por exemplo: o aluno conta referências a missas ou sacramentos no texto, mas atribui peso à ideia de ritualismo por associar religiosidade medieval apenas a eventos litúrgicos públicos.
- Incorreta. O aluno aplica um anacronismo ao associar o controle dos impulsos à razão iluminista ou escolástica. Por exemplo: o aluno realiza uma operação de substituição de do termo "espírito" por "razão", ignorando que a submissão descrita é mística e não lógica.
- Incorreta. O aluno realiza uma leitura literal de um termo polissêmico. Por exemplo: o aluno identifica ocorrência da palavra "trabalhando" e a multiplica pelo sentido de 'emprego' ou 'profissão', em vez de 'esforço' ou 'exercício espiritual', distorcendo o contexto teológico para o sociológico.
- Incorreta. O aluno comete um erro de reducionismo categórico. Por exemplo: o aluno isola a expressão "contentar-se com pouco" e reduz a abrangência de todos os sentidos (corpo) a apenas (o paladar), focando em uma possível dieta em vez da mortificação sensorial completa.
- Correta. O texto descreve explicitamente a necessidade de "castigar" e "curvar" a carne para sujeitá-la ao espírito, o que caracteriza a desvalorização da materialidade física típica do ascetismo medieval.