Ata Geral da Conferência de Bruxelas, 2 de julho de 1890 As potências…
Gabarito: B
A questão aborda as justificativas ideológicas utilizadas pelas potências europeias para legitimar a ocupação da África no final do século XIX. O documento da Conferência de Bruxelas (1890) utiliza a retórica da "missão civilizadora" e o combate à escravidão como pretexto para a intervenção direta no continente.
Enunciado
Ata Geral da Conferência de Bruxelas, 2 de julho de 1890 As potências declaram que os meios mais eficazes para combater a escravatura no interior da África são os seguintes:
- A organização progressiva dos serviços administrativos judiciais, religiosos e militares nos territórios da África, colocados sob a soberania ou sob protetorado das nações civilizadas;
- O estabelecimento gradual no interior, pelas potências de quem dependem os territórios, de estações fortemente ocupadas, de maneira que a sua ação protetora ou repressiva possa se fazer sentir com eficácia nos territórios assolados pela caçada ao homem.
Disponível em: www.fd.unl.pt. Acesso em: 21 jan. 2015.
No contexto da colonização da África do século X1X, o recurso ao argumento civilizatório apresentado no texto buscava legitimar o(a)
Alternativas
- A)
estabelecimento de governos para a constituição de Estados nacionais.
- B)
submissão de espaços para alterar as relações de produção.
Resposta correta - C)
delimitação de jurisdições para bloquear a expansão capitalista.
- D)
defesa do continente para encerrar as contínuas guerras civis.
- E)
reconhecimento da alteridade para preservar as práticas tribais.
Resolução comentada
A questão aborda as justificativas ideológicas utilizadas pelas potências europeias para legitimar a ocupação da África no final do século XIX. O documento da Conferência de Bruxelas (1890) utiliza a retórica da "missão civilizadora" e o combate à escravidão como pretexto para a intervenção direta no continente.
A análise do texto revela que o objetivo real era a organização administrativa, judicial e militar dos territórios sob o controle europeu. Esse processo não visava apenas o fim da escravidão em termos humanitários, mas sim a submissão desses espaços para reorganizar a produção econômica africana, adequando-a às necessidades do capitalismo industrial europeu. Ao substituir as estruturas de poder locais e o tráfico de seres humanos pelo controle colonial, as potências garantiam a extração de matérias-primas e a exploração de mão de obra de forma sistemática.
- Incorreta. O aluno interpreta o termo "organização administrativa" como a criação de soberanias locais autônomas. Operação errada: confunde colonização (controle externo) com a construção de Estados nacionais soberanos (autodeterminação), atribuindo 100% de autonomia ao colonizado quando o texto fala explicitamente em "territórios sob a soberania ou protetorado das nações civilizadas".
- Correta. O texto evidencia que a repressão à caçada humana e a organização administrativa serviam para legitimar a ocupação territorial, permitindo a transição de um sistema produtivo baseado no tráfico para um sistema colonial que alterava as relações de produção e integrava o interior da África ao mercado mundial.
- Incorreta. O aluno inverte a função das jurisdições coloniais. Operação errada: multiplica a função da expansão imperialista por -1, assumindo que as fronteiras serviam para bloquear o capitalismo quando, na verdade, o objetivo era exatamente o oposto: criar um ordenamento jurídico-militar que protegesse e garantisse a expansão e o investimento do capital europeu.
- Incorreta. O aluno foca na menção à "ação protetora" e a desvincula do contexto de ocupação. Operação errada: substitui o objetivo de controle estratégico por uma motivação puramente altruísta de paz civil. O erro consiste em considerar que a presença militar europeia visava o bem-estar social africano e não a segurança das rotas comerciais e postos de exploração das metrópoles.
- Incorreta. O aluno ignora o caráter etnocêntrico da terminologia utilizada. Operação errada: interpreta a imposição de padrões religiosos e judiciais europeus como um sinal de tolerância cultural. Ao ignorar que o texto define os europeus como "nações civilizadas" em oposição ao "interior da África", o aluno anula a hierarquia de valores presente no documento, que nega a alteridade para impor a aculturação.