A "África" tem sido incessantemente recriada e desconstruída. A…
Gabarito: D
O texto de Livio Sansone reflete sobre como a noção de 'África' é construída e manipulada no Brasil. O autor argumenta que o continente é transformado em um 'ícone' que serve a diversos interesses, desde discursos das elites até movimentos populares, passando por políticas de diferentes espectros. Essa plasticidade — a capacidade de a África ser 'incessantemente recriada e desconstruída' — fundamenta-se na falta de informações precisas e históricas sobre a realidade africana.
Enunciado
A "África" tem sido incessantemente recriada e desconstruída. A "África" tem sido um ícone contestado, tem sido usada e abusada, tanto pela intelectualidade quanto pela cultura de massas; tanto pelo discurso da elite quanto pelo discurso popular sobre a nação e os povos que, supostamente, criaram e se misturaram no Novo Mundo; e, por último, tanto pela política conservadora como pela progressista.
SANSONE, L. Da África ao afro: uso e abuso da África entre os intelectuais e na cultura popular brasileira durante o século XX. Afro-Ásia, v. 27, 2002.
As diferentes significações atribuídas à África, citadas no texto, são consequências do(a)
Alternativas
- A)
identidade folclórica da população.
- B)
desenvolvimento científico da região.
- C)
multiplicidade linguística do território.
- D)
desconhecimento histórico do continente.
Resposta correta - E)
invisibilidade antropológica da comunidade.
Resolução comentada
GABARITO: D
O texto de Livio Sansone reflete sobre como a noção de 'África' é construída e manipulada no Brasil. O autor argumenta que o continente é transformado em um 'ícone' que serve a diversos interesses, desde discursos das elites até movimentos populares, passando por políticas de diferentes espectros. Essa plasticidade — a capacidade de a África ser 'incessantemente recriada e desconstruída' — fundamenta-se na falta de informações precisas e históricas sobre a realidade africana.
Para que um conceito seja 'usado e abusado' de formas tão contraditórias, é necessário que haja um vácuo de conhecimento concreto. Na ausência de uma compreensão histórica rigorosa sobre as 54 nações e as milhares de culturas do continente, a África torna-se uma projeção imaginária, permitindo que cada grupo a preencha com os significados que melhor atendem às suas pautas ideológicas ou culturais. Portanto, as diferentes significações são consequências diretas do desconhecimento histórico sobre o continente.
- Incorreta. O aluno realiza uma operação de redução de conjunto: isola o 'discurso popular' citado no texto e o equaliza à 'identidade folclórica'. Por exemplo: o aluno foca em apenas dos agentes mencionados (ignorando elite, política, ciência e massa), ignorando que o texto descreve um fenômeno muito mais amplo que o folclore.
- Incorreta. O aluno comete um erro de transposição de variável: confunde a 'intelectualidade' que estuda o ícone África com o 'desenvolvimento científico' interno do território africano. Por exemplo: o aluno projeta a produção de saber acadêmico sobre o objeto para a infraestrutura do próprio objeto, trocando a natureza da análise cultural por uma análise técnica/econômica.
- Incorreta. O aluno estabelece uma correlação espúria: assume que a 'multiplicidade linguística' interna da África (causa física/social) é o que gera as disputas de significado externas. Por exemplo: o aluno tenta explicar a manipulação ideológica do ícone através de uma variável demográfica, criando uma função causal inexistente na lógica do texto.
- Correta. O desconhecimento histórico é a variável que permite a maleabilidade do conceito. Sem os fatos, a 'África' torna-se um significante vazio, permitindo que seja 'reconstruída e desconstruída' conforme a necessidade do discurso, seja ele de elite ou popular, conservador ou progressista.
- Incorreta. O aluno aplica um operador de inversão semântica: interpreta 'ícone contestado' e 'usado e abusado' como sinais de invisibilidade. Por exemplo: o aluno multiplica a alta exposição e a disputa pelo termo por , resultando no conceito de invisibilidade, que é o oposto da hiper-visibilidade (ainda que distorcida) descrita por Sansone.