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Sócrates: “Quem não sabe o que uma coisa é, como poderia saber de que…

Gabarito: B

O texto apresenta um fragmento do diálogo Mênon, de Platão, no qual Sócrates interroga seu interlocutor sobre a natureza da virtude. O ponto central da argumentação socrática reside na prioridade lógica da essência sobre as qualidades. Sócrates argumenta que, para saber se algo (ou alguém) possui certas características (ser belo, rico ou nobre), é necessário, antes de tudo, saber o que esse algo é. Essa busca pela definição universal e essencial de um conceito, realizada por meio de perguntas e respostas que visam purificar o conhecimento de opiniões infundadas, caracteriza o método dialético.

Enunciado

Sócrates: “Quem não sabe o que uma coisa é, como poderia saber de que tipo de coisa ela é? Ou te parece ser possível alguém que não conhece absolutamente quem é Mênon, esse alguém saber se ele é belo, se é rico e ainda se é nobre? Parece-te ser isso possível? Assim, Mênon, que coisa afirmas ser a virtude?”. PLATÃO. Mênon. Rio de Janeiro: PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2001 (adaptado). A atitude apresentada na interlocução do filósofo com Mênon é um exemplo da utilização do(a)

Alternativas

  • A)

    escrita epistolar.

  • B)

    método dialético.

    Resposta correta
  • C)

    linguagem trágica.

  • D)

    explicação fisicalista.

  • E)

    suspensão judicativa.

Resolução comentada

O texto apresenta um fragmento do diálogo Mênon, de Platão, no qual Sócrates interroga seu interlocutor sobre a natureza da virtude. O ponto central da argumentação socrática reside na prioridade lógica da essência sobre as qualidades. Sócrates argumenta que, para saber se algo (ou alguém) possui certas características (ser belo, rico ou nobre), é necessário, antes de tudo, saber o que esse algo é. Essa busca pela definição universal e essencial de um conceito, realizada por meio de perguntas e respostas que visam purificar o conhecimento de opiniões infundadas, caracteriza o método dialético.

  • Incorreta. O aluno confunde o gênero literário da obra. Operação de erro: atribui peso total ao formato de correspondência (epístola) em vez do gênero dialógico. Por exemplo: o aluno supõe que, por ser um texto antigo, trata-se de uma carta enviada a Mênon, ignorando a estrutura de interlocução direta característica dos diálogos platônicos.
  • Correta. A atitude de Sócrates exemplifica a dialética, que consiste no movimento do pensamento que busca a verdade (o "que é") através do diálogo, superando o senso comum e as aparências (os predicados como "rico" ou "belo") para alcançar a definição conceitual.
  • Incorreta. O aluno confunde a tensão intelectual do debate com o gênero dramático. Operação de erro: substitui a categoria de "discurso racional" pela de "representação teatral trágica". Por exemplo: o aluno interpreta o conflito de ideias como um destino trágico do personagem Mênon, em vez de um exercício de investigação filosófica.
  • Incorreta. O aluno aplica incorretamente conceitos da filosofia da natureza ou do materialismo moderno. Operação de erro: transfere o foco da ética (virtude) para a matéria (física). Por exemplo: o aluno assume que a pergunta "que coisa é" refere-se à composição física de Mênon, e não à essência metafísica da virtude.
  • Incorreta. O aluno confunde a ironia socrática (reconhecimento da ignorância como início da busca) com o ceticismo pirrônico. Operação de erro: iguala o ponto de partida (dúvida) ao ponto de chegada (epoché). Por exemplo: o aluno acredita que Sócrates defende a impossibilidade de conhecer a virtude, resultando na escolha pela suspensão judicativa em vez do método de investigação dialética.

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