A arte pré-histórica africana foi incontestavelmente um veículo de…
Gabarito: A
O texto de Joseph Ki-Zerbo destaca que as pinturas rupestres na África pré-histórica funcionavam como um veículo pedagógico fundamental. Para povos sem escrita, como os San, essas imagens atuavam como um registro da visão de mundo e da história, servindo de base para a educação das gerações mais novas. Portanto, a arte rupestre não era apenas expressão estética, mas uma tecnologia social para a manutenção e compartilhamento da memória coletiva e dos conhecimentos necessários à sobrevivência e à organização do grupo.
Enunciado
A arte pré-histórica africana foi incontestavelmente um veículo de mensagens pedagógicas e sociais. Os San, que constituem hoje o povo mais próximo da realidade das representações rupestres, afirmam que seus antepassados lhes explicaram sua visão do mundo a partir desse gigantesco livro de imagens que são as galerias. A educação dos povos que desconhecem a escrita está baseada sobretudo na imagem e no som, no audiovisual. KI-ZERBO, J. A arte pré-histórica africana. In: KI-ZERBO, J. (Org.) História geral da África, I: metodologia e pré-história da África. Brasília: Unesco, 2010. De acordo com o texto, a arte mencionada é importante para os povos que a cultivam por colaborar para o(a)
Alternativas
- A)
transmissão dos saberes acumulados.
Resposta correta - B)
expansão da propriedade individual.
- C)
ruptura da disciplina hierárquica.
- D)
surgimento dos laços familiares.
- E)
rejeição de práticas exógenas.
Resolução comentada
O texto de Joseph Ki-Zerbo destaca que as pinturas rupestres na África pré-histórica funcionavam como um veículo pedagógico fundamental. Para povos sem escrita, como os San, essas imagens atuavam como um registro da visão de mundo e da história, servindo de base para a educação das gerações mais novas. Portanto, a arte rupestre não era apenas expressão estética, mas uma tecnologia social para a manutenção e compartilhamento da memória coletiva e dos conhecimentos necessários à sobrevivência e à organização do grupo.
- Correta. A transmissão dos saberes acumulados: O enunciado afirma que a arte é um "gigantesco livro de imagens" e um "veículo de mensagens pedagógicas", o que valida a ideia de que sua função principal é o ensino e a passagem de conhecimento entre as gerações.
- Incorreta. O aluno realiza a operação lógica de confundir "patrimônio cultural" (coletivo) com "propriedade privada" (individual). Por exemplo: ao ler que a arte é um "livro", o estudante associa o objeto livro à posse material, ignorando que, no contexto pré-histórico africano, a arte rupestre pertencia ao espaço comunitário e não visava a expansão de bens individuais.
- Incorreta. O aluno inverte o sentido da função pedagógica, associando a palavra "mensagens" a um ato de rebeldia ou contestação. Por exemplo: ele assume que a "educação" citada no texto serve para questionar o sistema estabelecido, quando o texto enfatiza o papel da arte em explicar a "visão do mundo" dos antepassados, o que reforça a continuidade e não a ruptura da disciplina.
- Incorreta. O aluno comete o erro de confundir a "expressão da ancestralidade" com a "fundação biológica/social da família". Por exemplo: ao ver o termo "antepassados", o aluno deduz que a arte foi a causa do surgimento da família, em vez de entender que a família já existia e utilizava a arte para transmitir sua cultura.
- Incorreta. O aluno interpreta a valorização da cultura interna como uma oposição ativa ao externo. Por exemplo: ele aplica a lógica de que "cultivar o próprio saber" implica necessariamente na "rejeição de práticas exógenas" (xenofobia), embora o texto não apresente dados sobre o contato com outros povos ou a recusa de influências externas.