Será que as coisas lhe pareceriam diferentes se, de fato, todas elas…
Gabarito: E
A questão aborda um experimento mental proposto pelo filósofo Thomas Nagel para discutir os limites do conhecimento humano sobre a realidade externa. O texto descreve a hipótese de que tudo o que percebemos como mundo real poderia ser apenas um produto da nossa mente (um sonho ou alucinação contínua). Esse cenário leva ao conceito de , que é a posição filosófica de que apenas a própria mente e suas experiências são certas, sendo impossível provar a existência de qualquer coisa fora dela.
Enunciado
Será que as coisas lhe pareceriam diferentes se, de fato, todas elas existissem apenas na sua mente — se tudo o que você julgasse ser o mundo externo real fosse apenas um sonho ou alucinação gigante, de que você jamais fosse despertar? Se assim fosse, então é claro que você nunca poderia despertar, como faz quando sonha, pois significaria que não há mundo “real” no qual despertar. Logo, não seria exatamente igual a um sonho ou alucinação normal. NAGEL, T. Uma breve introdução à filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2011. O texto confere visibilidade a uma doutrina filosófica contemporânea conhecida como:
Alternativas
- E)
Solipsismo, que reconhece limitações cognitivas para compreender uma experiência compartilhada.
Resposta correta - D)
Idealismo, que nega a existência de objetos independentemente do trabalho cognoscente.
- C)
Falibilismo, que rejeita mecanismos mentais para sustentar uma crença inequívoca.
- A)
Personalismo, que vincula a realidade circundante aos domínios do pessoal.
- B)
Falsificacionismo, que estabelece ciclos de problemas para refutar uma conjectura.
Resolução comentada
A questão aborda um experimento mental proposto pelo filósofo Thomas Nagel para discutir os limites do conhecimento humano sobre a realidade externa. O texto descreve a hipótese de que tudo o que percebemos como mundo real poderia ser apenas um produto da nossa mente (um sonho ou alucinação contínua). Esse cenário leva ao conceito de , que é a posição filosófica de que apenas a própria mente e suas experiências são certas, sendo impossível provar a existência de qualquer coisa fora dela.
- O autor levanta a possibilidade de que o mundo externo seja uma ilusão mental da qual não se pode despertar, pois não haveria realidade externa para onde retornar.
- Se a percepção individual é a única fonte de dados, a mente fica isolada em sua subjetividade, o que caracteriza a doutrina solipsista.
- A alternativa E define corretamente esse estado como o reconhecimento de que, se estamos confinados à mente, temos limitações para validar uma experiência compartilhada com outros seres.
Análise das alternativas:
- Incorreta. O aluno realiza uma associação semântica simplista entre o (mencionado como mente) e o termo pessoal. Operação errada: . Por exemplo: o aluno ignora que o Personalismo é uma corrente ética e social que foca na dignidade da pessoa humana, não na dúvida sobre a existência física do mundo.
- Incorreta. O aluno confunde a dúvida sobre a realidade com o critério de demarcação da ciência. Operação errada: . Por exemplo: o aluno calcula que o ato de questionar se o mundo é um sonho equivale a aplicar o método de Karl Popper, obtendo a alternativa (B), quando o falsificacionismo trata da validade de leis científicas e não da existência da matéria.
- Incorreta. O aluno confunde a incerteza radical do autor com o conceito de que o conhecimento é falível. Operação errada: . Por exemplo: o aluno reduz a hipótese de inexistência do mundo (Solipsismo) a uma mera possibilidade de estar enganado sobre algo (Falibilismo), escolhendo a alternativa (C) por não distinguir a escala da dúvida.
- Incorreta. Embora o Solipsismo seja uma forma extrema de Idealismo, o aluno erra ao escolher a categoria genérica. Operação errada: . Por exemplo: o aluno identifica que o idealismo nega a independência do objeto, mas ignora o ponto central do texto de Nagel — o isolamento da mente individual () — marcando a alternativa (D) por falta de especificidade conceitual.
- Correta. O Solipsismo é a doutrina que reconhece que, se o mundo pode ser apenas um sonho mental, o sujeito encontra barreiras cognitivas para garantir que outros seres e experiências sejam reais e compartilhados.