Para que a passagem da produção ininterrupta de novidade a seu…
Gabarito: A
O fragmento de Anne Cauquelin aborda a dinâmica da arte contemporânea sob uma perspectiva sociológica e econômica, focando na transformação da obra de arte em um objeto de consumo dentro de uma engrenagem industrial. A autora utiliza metáforas como "grande máquina industrial" e "tentacular" para descrever como o sistema da arte opera. O ponto central do texto é que o mercado não apenas atende a uma demanda pré-existente, mas precisa ativamente fabricar o interesse do público, provocando e estimulando o consumo da "novidade" constante. Essa descrição explicita as estratégias e métodos operacionais do mercado de arte para se sustentar na modernidade.
Enunciado
Para que a passagem da produção ininterrupta de novidade a seu consumo seja feita continuamente, há necessidade de mecanismos, de engrenagens. Uma espécie de grande máquina industrial, incitante, tentacular, entra em ação. Mas bem depressa a simples lei da oferta e da procura segundo as necessidades não vale mais: é preciso excitar a demanda, excitar o acontecimento, provocá-lo, espicaçá-lo, fabricá-lo, pois a modernidade se alimenta disso.
CAUQUELIN, A. Arte contemporânea: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 2005 (adaptado).
No contexto da arte contemporânea, o texto da autora Anne Cauquelin reflete ações que explicitam
Alternativas
- A)
métodos utilizados pelo mercado de arte.
Resposta correta - B)
investimentos realizados por mecenas.
- C)
interesses do consumidor de arte.
- D)
práticas cotidianas do artista.
- E)
fomentos públicos à cultura.
Resolução comentada
O fragmento de Anne Cauquelin aborda a dinâmica da arte contemporânea sob uma perspectiva sociológica e econômica, focando na transformação da obra de arte em um objeto de consumo dentro de uma engrenagem industrial. A autora utiliza metáforas como "grande máquina industrial" e "tentacular" para descrever como o sistema da arte opera. O ponto central do texto é que o mercado não apenas atende a uma demanda pré-existente, mas precisa ativamente fabricar o interesse do público, provocando e estimulando o consumo da "novidade" constante. Essa descrição explicita as estratégias e métodos operacionais do mercado de arte para se sustentar na modernidade.
- Correta. O texto descreve explicitamente os "mecanismos" e "engrenagens" que compõem a estrutura do mercado, ressaltando que a lei da oferta e da procura é manipulada para "excitar a demanda" e "fabricar o acontecimento", características típicas do mercado de arte contemporâneo.
- Incorreta. O aluno interpreta o termo "mecanismos" como o apoio financeiro direto de indivíduos ricos (mecenato) em vez de uma estrutura sistêmica. Por exemplo: o aluno ignora a menção à "máquina industrial" (mercado amplo) e foca apenas na ideia de que alguém financia a novidade, confundindo suporte sistêmico com patrocínio individual.
- Incorreta. O aluno inverte a lógica de causalidade apresentada no texto. Por exemplo: em vez de perceber que o mercado fabrica a demanda (), o aluno supõe que a máquina apenas reage aos desejos prévios do consumidor (), o que contraria o trecho "é preciso excitar a demanda".
- Incorreta. O aluno confunde o processo de circulação e promoção da arte com o fazer artístico (técnica e atelier). Por exemplo: ao ler "produção de novidade", o aluno associa ao trabalho braçal ou criativo do artista, ignorando que o texto trata da "passagem da produção ao consumo", ou seja, da comercialização.
- Incorreta. O aluno associa a expressão "grande máquina" à burocracia estatal ou políticas de governo. Por exemplo: o aluno assume que "engrenagens" refere-se a leis de incentivo fiscal, desconsiderando que o texto utiliza termos econômicos liberais como "lei da oferta e da procura", que remetem ao setor privado.