Para Maquiavel, quando um homem decide dizer a verdade pondo em risco…
Gabarito: A
O texto aborda um dos pilares da teoria política de Nicolau Maquiavel: a autonomia da política em relação à moral tradicional (cristã ou clássica). Maquiavel propõe que a ação do governante não deve ser julgada pelos mesmos critérios de um indivíduo comum. Enquanto o cidadão privado deve seguir a moral da idealidade (os valores transcendentes e a verdade absoluta), o chefe de Estado deve pautar-se pela efetividade (o que é necessário para a manutenção do Estado e o bem-comum). Essa distinção marca o nascimento da política moderna, onde a 'Razão de Estado' justifica ações que, no âmbito privado, seriam consideradas imorais, como a mentira.
Enunciado
Para Maquiavel, quando um homem decide dizer a verdade pondo em risco a própria integridade física, tal resolução diz respeito apenas a sua pessoa. Mas se esse mesmo homem é um chefe de Estado, os critérios pessoais não são mais adequados para decidir sobre ações cujas consequências se tornam tão amplas, já que o prejuízo não será apenas individual, mas coletivo. Nesse caso, conforme as circunstâncias e os fins a serem atingidos, pode-se decidir que o melhor para o bem comum seja mentir.
ARANHA, M. L. Maquiavel: a lógica da força. São Paulo: Moderna, 2006 (adaptado).
O texto aponta uma inovação na teoria política na época moderna expressa na distinção entre
Alternativas
- A)
idealidade e efetividade da moral.
Resposta correta - B)
nulidade e preservabilidade da liberdade.
- C)
ilegalidade e legitimidade do governante.
- D)
verificabilidade e possibilidade da verdade.
- E)
objetividade e subjetividade do conhecimento.
Resolução comentada
O texto aborda um dos pilares da teoria política de Nicolau Maquiavel: a autonomia da política em relação à moral tradicional (cristã ou clássica). Maquiavel propõe que a ação do governante não deve ser julgada pelos mesmos critérios de um indivíduo comum. Enquanto o cidadão privado deve seguir a moral da idealidade (os valores transcendentes e a verdade absoluta), o chefe de Estado deve pautar-se pela efetividade (o que é necessário para a manutenção do Estado e o bem-comum). Essa distinção marca o nascimento da política moderna, onde a 'Razão de Estado' justifica ações que, no âmbito privado, seriam consideradas imorais, como a mentira.
- Correta (A): Maquiavel inova ao separar a moralidade individual (ideal) da moralidade política (efetiva). A decisão do governante deve visar o resultado prático e a estabilidade do corpo social, mesmo que para isso precise sacrificar ideais morais pessoais.
- Incorreta (B): O aluno associa o 'risco à integridade física' citado no texto à perda de liberdade, confundindo a segurança pessoal com o conceito político de liberdade. O texto foca na tomada de decisão do governante e não na preservação das liberdades civis.
- Incorreta (C): O aluno interpreta o ato de mentir como um crime comum (ilegalidade), falhando em perceber que Maquiavel discute a legitimidade ética da ação para o bem comum, e não a conformidade com leis jurídicas pré-estabelecidas.
- Incorreta (D): O aluno foca na menção à 'verdade' no início do texto e a transporta para uma discussão sobre lógica ou epistemologia. Na verdade, a questão é sobre o uso pragmático da verdade e da mentira como ferramentas políticas.
- Incorreta (E): O aluno confunde a distinção entre 'individual' e 'coletivo' (mencionada no texto como esferas de ação) com a dicotomia entre sujeito e objeto do conhecimento. O texto trata de ética e poder, não de teoria do conhecimento.