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TEXTO I Considero apropriado deter-me algum tempo na contemplação…

Gabarito: A

A questão aborda a transição paradigmática que define a Modernidade. Historicamente, esse período é marcado pelo deslocamento do teocentrismo medieval, onde a verdade era fundamentada na autoridade da revelação divina e na fé, para o antropocentrismo racionalista. No Texto I, René Descartes, um dos pilares do pensamento moderno, demonstra como a própria ideia de Deus é submetida ao crivo da meditação racional; para ele, a razão humana é capaz de contemplar e entender atributos divinos como parte de um sistema lógico de conhecimento. Já o Texto II, de James Rachels, reforça essa perspectiva ao argumentar que a investigação sobre o mundo e sobre a divindade deve ser pautada pela razoabilidade e por fundamentos lógicos, e não meramente por uma aceitação fideísta. Portanto, ambos os textos convergem para a ideia de que a modernidade defende um modelo de conhecimento cujo critério último de validade é a razão humana.

Enunciado

TEXTO I Considero apropriado deter-me algum tempo na contemplação deste Deus todo perfeito, ponderar totalmente à vontade seus maravilhosos atributos, considerar, admirar e adorar a incomparável beleza dessa imensa luz. DESCARTES, R. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1980.

TEXTO II Qual será a forma mais razoável de entender como é o mundo? Existirá alguma boa razão para acreditar que o mundo foi criado por uma divindade todo-poderosa? Não podemos dizer que a crença em Deus é “apenas” uma questão de fé. RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.

Os textos abordam um questionamento da construção da modernidade que defende um modelo

Alternativas

  • A)

    centrado na razão humana.

    Resposta correta
  • B)

    baseado na explicação mitológica.

  • C)

    fundamentado na ordenação imanentista.

  • D)

    focado na legitimação contratualista.

  • E)

    configurado na percepção etnocêntrica.

Resolução comentada

A questão aborda a transição paradigmática que define a Modernidade. Historicamente, esse período é marcado pelo deslocamento do teocentrismo medieval, onde a verdade era fundamentada na autoridade da revelação divina e na fé, para o antropocentrismo racionalista. No Texto I, René Descartes, um dos pilares do pensamento moderno, demonstra como a própria ideia de Deus é submetida ao crivo da meditação racional; para ele, a razão humana é capaz de contemplar e entender atributos divinos como parte de um sistema lógico de conhecimento. Já o Texto II, de James Rachels, reforça essa perspectiva ao argumentar que a investigação sobre o mundo e sobre a divindade deve ser pautada pela razoabilidade e por fundamentos lógicos, e não meramente por uma aceitação fideísta. Portanto, ambos os textos convergem para a ideia de que a modernidade defende um modelo de conhecimento cujo critério último de validade é a razão humana.

  • Correta. (A) O modelo moderno estabelece a razão como a ferramenta central para a compreensão da realidade e até para a validação de conceitos teológicos. O "eu penso" (cogito) cartesiano inaugura a subjetividade como base da certeza científica e filosófica.
  • Incorreta. O aluno confunde a menção a Deus com o pensamento pré-filosófico. Erro concreto: associa o termo "divindade" no texto diretamente ao conceito de "Mito" (narrativa fantástica), ignorando que Descartes utiliza o conceito de Deus como uma garantia lógica e racional para a existência do mundo exterior.
  • Incorreta. O imanentismo sugere que Deus e o mundo são uma única substância (como em Spinoza). Erro concreto: o aluno interpreta a busca por uma "razão para acreditar no mundo" como se o mundo fosse a própria causa divina, em vez de ver o processo de raciocínio (transcendente ao objeto) que os autores propõem.
  • Incorreta. O contratualismo é uma teoria política sobre a origem da sociedade e do Estado (Hobbes, Locke, Rousseau). Erro concreto: o aluno lê "construção da modernidade" e a associa automaticamente à organização social e jurídica, ignorando que os textos tratam de metafísica e epistemologia (conhecimento).
  • Incorreta. O etnocentrismo é a visão de mundo centrada em um grupo étnico ou cultura específica. Erro concreto: o aluno projeta uma crítica sociológica contemporânea sobre o texto, acreditando que a discussão sobre o Deus cristão/ocidental implica necessariamente uma imposição cultural, em vez de uma discussão sobre a lógica universal da razão.

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