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Em algumas línguas de Moçambique não existe a palavra “pobre”. O…

Gabarito: B

A questão propõe uma reflexão sociológica e antropológica sobre a definição de pobreza no contexto de algumas sociedades rurais moçambicanas, a partir de um texto de Mia Couto. O autor estabelece que, nessas culturas, a pobreza não é medida pela escassez de recursos financeiros ou bens materiais (a esfera econômica convencional), mas sim pela ausência de suporte social. Para o autor, ser pobre é ser solitário e estar desconectado das redes de solidariedade e de parentesco que garantem a sobrevivência e a identidade do indivíduo na comunidade.

Enunciado

Em algumas línguas de Moçambique não existe a palavra “pobre”. O indivíduo é pobre quando não tem parentes. A pobreza é a solidão, a ruptura das relações familiares que, na sociedade rural, servem de apoio à sobrevivência. Os consultores internacionais, especialistas em elaborar relatórios sobre a miséria, talvez não tenham em conta o impacto dramático da destruição dos laços familiares e das relações de entreajuda. Nações inteiras estão tornando-se "órfãs", e a mendicidade parece ser a única via de uma agonizante sobrevivência. COUTO,M.E se Obama fosse africano? & outras intervenções. Portugal: Caminho,2009 (adaptado). Em uma leitura que extrapola a esfera econômica, o autor associa o acirramento da pobreza à

Alternativas

  • A)

    afirmação das origens ancestrais.

  • B)

    fragilização das redes de sociabilidade.

    Resposta correta
  • C)

    padronização das políticas educacionais.

  • D)

    fragmentação das propriedades agrícolas.

  • E)

    globalização das tecnologias de comunicação.

Resolução comentada

A questão propõe uma reflexão sociológica e antropológica sobre a definição de pobreza no contexto de algumas sociedades rurais moçambicanas, a partir de um texto de Mia Couto. O autor estabelece que, nessas culturas, a pobreza não é medida pela escassez de recursos financeiros ou bens materiais (a esfera econômica convencional), mas sim pela ausência de suporte social. Para o autor, ser pobre é ser solitário e estar desconectado das redes de solidariedade e de parentesco que garantem a sobrevivência e a identidade do indivíduo na comunidade.

A partir dessa perspectiva, o acirramento da pobreza é associado diretamente à desestruturação dos laços familiares e comunitários, o que torna as nações "órfãs". Portanto, o problema central identificado é a perda ou enfraquecimento das conexões sociais que sustentam a vida coletiva.

  • Incorreta. Afirmação das origens ancestrais: O erro pedagógico é a inversão da causalidade. O aluno confunde a solução (preservação dos laços ancestrais) com o problema. Se a pobreza é a falta de parentes, o fortalecimento das origens ancestrais combateria a pobreza, e não a acirraria.
  • Correta. Fragilização das redes de sociabilidade: A alternativa reflete precisamente o argumento do autor de que a pobreza é a "solidão" e a "ruptura das relações familiares". A fragilização dessas redes (redes de sociabilidade e entreajuda) é o fator que, segundo o texto, intensifica a condição de miséria em uma perspectiva extraeconômica.
  • Incorreta. Padronização das políticas educacionais: O erro pedagógico é a associação externa indevida. O aluno correlaciona o termo "consultores internacionais" à ideia de sistemas de ensino padronizados ou reformas globais, extrapolando o conteúdo do texto que foca especificamente em laços familiares e não em escolarização.
  • Incorreta. Fragmentação das propriedades agrícolas: O erro pedagógico é a redução do contexto ao ambiente. O aluno identifica o termo "sociedade rural" e automaticamente o vincula a questões de reforma agrária ou posse de terra, ignorando que o autor está tratando do capital social (relações humanas) e não do capital fundiário.
  • Incorreta. Globalização das tecnologias de comunicação: O erro pedagógico é a generalização temática. O aluno interpreta a crítica aos "consultores internacionais" como uma crítica à globalização tecnológica, substituindo o conceito de "entreajuda face a face" citado pelo autor por uma visão moderna de comunicação digital ausente no texto.

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