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TEXTO I MUYBRIDGE, E. Cavalo em movimento. Fotografia. Universidade…

Gabarito: E

A questão aborda o paradoxo entre a representação técnica (fotográfica) e a representação artística (pintura) do movimento, a partir do pensamento de Auguste Rodin. No Texto I, as fotografias de Muybridge decompõem o galope em instantes estáticos, provando que nunca há um momento em que as quatro patas estão estendidas simultaneamente. No entanto, no Texto II, Géricault pinta o cavalo exatamente dessa forma impossível. Rodin defende que o pintor é "verdadeiro" porque sua imagem capta a fluidez e a sensação do movimento (o devir), enquanto a fotografia "mente" ao congelar o tempo de forma que o animal parece paralisado. Assim, a arte inverte a noção comum de que a objetividade técnica é a única forma de atingir a verdade da realidade.

Enunciado

TEXTO I

MUYBRIDGE, E. Cavalo em movimento. Fotografia. Universidade do Texas, Austin, cerca de 1886. Disponível em: www.utexasaustin.edu. Acesso em: 31 ago. 2016 (adaptado).

TEXTO II

GÉRICAULT, T. Corrida de cavalos ou O Derby de 1821 em Epson. Óleo sobre tela, 92 x 123 cm. Museu do Louvre, Paris. Disponível em: www.louvre.fr. Acesso em: 31 ago. 2016.

TEXTO III

A arte pode estar, às vezes, muito mais preparada do que a ciência para captar o devir e a fluidez do mundo, pois o artista não quer manipular, mas sim “habitar” as coisas. O famoso artista francês Rodin, no seu livro L’Art (A Arte, 1911), comenta que a técnica de fotografia em série, mostrando todos os momentos do galope de um cavalo em diversos quadros, apesar de seu grande realismo, não é capaz de capturar o movimento. O corpo do animal é fotografado em diferentes posições, mas ele não parece estar galopando: “na imagem científica [fotográfica], o tempo é suspenso bruscamente”. Para Rodin, um pintor é capaz, em única cena, de nos transmitir a experiência de ver um cavalo de corrida, e isso porque ele representa o animal em um movimento ambíguo, em que os membros traseiros e dianteiros parecem estar em instantes diferentes. Rodin diz que essa exposição talvez seja logicamente inconcebível, mas é paradoxalmente muito mais adequada à maneira como o movimento se dá: “o artista é verdadeiro e a fotografia mentirosa, pois na realidade o tempo não para”.

FEITOSA, C. Explicando a filosofia com arte. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

Observando-se as imagens (Textos I e II), o paradoxo apontado por Rodin (Texto III) procede e cria uma maneira original de perceber a relação entre a arte e a técnica, porque o(a)

Imagem 1 do enunciado — Português ENEM 2018
Imagem 2 do enunciado — Português ENEM 2018

Alternativas

  • A)

    fotografia é realista na captação da sensação do movimento.

  • B)

    pintura explora os sentimentos do artista e não tem um caráter científico.

  • C)

    fotógrafo faz um estudo sobre os movimentos e consegue captar a essência da sua representação.

  • D)

    pintor representa de forma equivocada as patas dos cavalos, confundindo nossa noção de realidade.

  • E)

    pintura inverte a lógica comumente aceita de que a fotografia faz um registro objetivo e fidedigno da realidade.

    Resposta correta

Resolução comentada

A questão aborda o paradoxo entre a representação técnica (fotográfica) e a representação artística (pintura) do movimento, a partir do pensamento de Auguste Rodin. No Texto I, as fotografias de Muybridge decompõem o galope em instantes estáticos, provando que nunca há um momento em que as quatro patas estão estendidas simultaneamente. No entanto, no Texto II, Géricault pinta o cavalo exatamente dessa forma impossível. Rodin defende que o pintor é "verdadeiro" porque sua imagem capta a fluidez e a sensação do movimento (o devir), enquanto a fotografia "mente" ao congelar o tempo de forma que o animal parece paralisado. Assim, a arte inverte a noção comum de que a objetividade técnica é a única forma de atingir a verdade da realidade.

Análise das alternativas:

  • Incorreta. Atribuição de equivalência direta entre precisão e sensação: 100% realismo teˊcnico=100% sensac¸a˜o de movimento100\% \text{ realismo técnico} = 100\% \text{ sensação de movimento}. Por exemplo: o aluno ignora a crítica de Rodin ao congelamento do tempo e assume que a fidelidade física da fotografia automaticamente transmite a experiência sensorial do galope.
  • Incorreta. Redução da obra a um componente puramente emocional: Pintura=SentimentoCieˆncia\text{Pintura} = \text{Sentimento} - \text{Ciência}. Por exemplo: o aluno foca na subjetividade do artista e exclui a discussão técnica sobre como a pintura reconstrói a lógica do tempo e do espaço de forma paradoxal.
  • Incorreta. Identificação indevida de essência com registro documental: Fotografia=Esseˆncia do movimento\text{Fotografia} = \text{Essência do movimento}. Por exemplo: o aluno inverte a lógica do Texto III, onde Rodin afirma explicitamente que a fotografia suspende o tempo bruscamente e falha em capturar a fluidez essencial das coisas.
  • Incorreta. Classificação da técnica artística como falha lógica: Movimento ambıˊguo=Erro de representac¸a˜o\text{Movimento ambíguo} = \text{Erro de representação}. Por exemplo: o aluno percebe a discrepância anatômica nas patas do cavalo de Géricault em relação às fotos de Muybridge e conclui que isso é um erro grosseiro, ignorando que para Rodin esse "erro" é o que torna a obra superior à fotografia.
  • Correta. A pintura desafia a premissa de que a objetividade mecânica é superior à visão artística. Rodin propõe que a arte atinge uma verdade mais profunda (a fluidez do tempo) justamente ao desobedecer à precisão técnica instantânea. A relação entre arte e técnica é subvertida: o registro subjetivo e "anatomicamente impossível" torna-se mais fidedigno à percepção humana do que a objetividade da câmera.

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