Quantos há que os telhados têm vidrosos E deixam de atirar sua…
Gabarito: E
O fragmento poético de Gregório de Matos, conhecido como o 'Boca do Inferno', exemplifica sua vertente satírica. O autor utiliza-se de intertextualidade com o cancioneiro popular e ditados conhecidos para tecer uma rede de críticas sociais e morais. Ao citar 'telhados vidrosos', 'gato por lebre' e o 'cão na igreja', Matos não está apenas reproduzindo frases feitas, mas sim empregando-as como ferramentas para expor a hipocrisia, a desonestidade comercial e a falta de vigilância moral dos seus contemporâneos. A intenção comunicativa predominante é o julgamento de valor negativo sobre comportamentos humanos degradados.
Enunciado
Quantos há que os telhados têm vidrosos E deixam de atirar sua pedrada, De sua mesma telha receiosos. Adeus, praia, adeus, ribeira, De regatões tabaquista, Que vende gato por lebre Querendo enganar a vista. Nenhum modo de desculpa Tendes, que valer-vos possa: Que se o cão entra na igreja, É porque acha aberta a porta.
GUERRA, G. M. In: LIMA, R. T. Abecê de folclore. São Paulo: Martins Fontes, 2003 (fragmento).
Ao organizar as informações, no processo de construção do texto, o autor estabelece sua intenção comunicativa. Nesse poema, Gregório de Matos explora os ditados populares com o objetivo de
Alternativas
- A)
enumerar atitudes.
- B)
descrever costumes.
- C)
demonstrar sabedoria.
- D)
recomendar precaução.
- E)
criticar comportamentos.
Resposta correta
Resolução comentada
O fragmento poético de Gregório de Matos, conhecido como o 'Boca do Inferno', exemplifica sua vertente satírica. O autor utiliza-se de intertextualidade com o cancioneiro popular e ditados conhecidos para tecer uma rede de críticas sociais e morais. Ao citar 'telhados vidrosos', 'gato por lebre' e o 'cão na igreja', Matos não está apenas reproduzindo frases feitas, mas sim empregando-as como ferramentas para expor a hipocrisia, a desonestidade comercial e a falta de vigilância moral dos seus contemporâneos. A intenção comunicativa predominante é o julgamento de valor negativo sobre comportamentos humanos degradados.
- Alternativa A: Incorreta. Operação de contagem isolada: 3 estrofes = 3 itens enumerados. Por exemplo: o aluno foca na organização visual do texto e calcula que a presença de três situações distintas implica que o objetivo final é a simples enumeração, obtendo o valor de 3 itens listados em vez de perceber o propósito crítico por trás da lista.
- Alternativa B: Incorreta. Operação de redução de gênero: Sátira - Crítica = 0 (Descrição Pura). Por exemplo: o aluno remove a carga irônica do texto e calcula que a menção a elementos do cotidiano (praia, ribeira, regatões) serve apenas para descrever costumes, resultando em uma leitura neutra que ignora a intenção satírica do autor.
- Alternativa C: Incorreta. Operação de identificação literal: Fonte do texto = Objetivo do autor. Por exemplo: o aluno identifica que os ditados são 'sabedoria popular' e assume que a intenção do poeta é demonstrar essa sabedoria (100% de correspondência), falhando ao não perceber que Matos subverte essa sabedoria para ridicularizar o comportamento alheio.
- Alternativa D: Incorreta. Operação de generalização de parte pelo todo: 1 de 3 estrofes = 100% do significado. Por exemplo: o aluno foca exclusivamente na primeira estrofe, que menciona o receio de atirar pedras (precaução), e calcula que esse sentimento de 33% do texto define a obra inteira, ignorando os versos subsequentes sobre fraude e falta de limites.
- Alternativa E: Correta. A utilização de ditados populares serve como suporte para a sátira barroca, visando expor vícios e falhas de caráter. O objetivo central é a crítica a comportamentos sociais, característica marcante da poesia de Gregório de Matos.