Quanto aos campos de batalha, os nomes de ilhas melanésias e…
Gabarito: A
O historiador Eric Hobsbawm, ao classificar a Segunda Guerra Mundial como uma "aula de geografia", refere-se à escala global sem precedentes do conflito. Diferente de guerras anteriores, os campos de batalha se espalharam por todos os continentes e oceanos. Isso forçou o público leigo, que acompanhava os desdobramentos pelo rádio e pelos jornais, a aprender a localização, os nomes e as características de regiões extremamente remotas e anteriormente ignoradas pelo senso comum europeu e ocidental, como as ilhas da Melanésia ou as selvas da Birmânia.
Enunciado
Quanto aos campos de batalha, os nomes de ilhas melanésias e assentamentos nos desertos norte-africanos, na Birmânia e nas Filipinas tornaram-se tão conhecidos dos leitores de jornais e radiouvintes quanto os nomes de batalhas no Ártico e no Cáucaso, na Normandia, em Stalingrado e em Kursk. A Segunda Guerra Mundial foi uma aula de geografia. HOBSBAWM, E. Era dos extremos – o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Cia. das Letras, 1997 (adaptado). Um dos principais acontecimentos do século XX, a Segunda Grande Guerra (1939-1945) foi interpretada no texto como uma aula de geografia porque
Alternativas
- A)
teve-se ciência de lugares outrora ignorados.
Resposta correta - B)
foram modificadas fronteiras e relações interestatais.
- C)
utilizaram mapas estratégicos os exércitos nela envolvidos.
- D)
tratou-se de um acontecimento que afetou a economia global.
- E)
tornou o continente europeu o centro das relações internacionais.
Resolução comentada
O historiador Eric Hobsbawm, ao classificar a Segunda Guerra Mundial como uma "aula de geografia", refere-se à escala global sem precedentes do conflito. Diferente de guerras anteriores, os campos de batalha se espalharam por todos os continentes e oceanos. Isso forçou o público leigo, que acompanhava os desdobramentos pelo rádio e pelos jornais, a aprender a localização, os nomes e as características de regiões extremamente remotas e anteriormente ignoradas pelo senso comum europeu e ocidental, como as ilhas da Melanésia ou as selvas da Birmânia.
- Correta. A alternativa reflete a ideia central do texto de que a guerra ampliou o horizonte geográfico das pessoas. O alcance mundial do conflito fez com que nomes de lugares distantes se tornassem familiares ao cotidiano da população civil, que passou a ter ciência de localidades antes fora de seu mapa mental.
- Incorreta. O aluno confunde a expansão do conhecimento espacial citada no texto com a reconfiguração política das fronteiras. Por exemplo: o aluno interpreta a "aula" como a modificação de dos limites territoriais no pós-guerra, ignorando que o foco do autor está na percepção dos leitores e ouvintes durante o conflito.
- Incorreta. O aluno interpreta o termo "geografia" de forma excessivamente literal e técnica. Por exemplo: o aluno supõe que a aula se refere ao uso de mapas por generais, quando o texto afirma que os nomes tornaram-se conhecidos pelos dos radiouvintes e leitores de jornais.
- Incorreta. O aluno realiza um desvio temático para a economia globalizada. Por exemplo: o aluno associa o aprendizado geográfico a uma queda de no PIB ou fluxos comerciais, desconsiderando que o texto de Hobsbawm trata especificamente da toponímia e da localização das batalhas.
- Incorreta. O aluno mantém uma visão eurocêntrica que contradiz o trecho. Por exemplo: o aluno ignora as regiões extraeuropeias citadas nominalmente (Melanésia, desertos norte-africanos, Birmânia e Filipinas) para justificar a abrangência da aula de geografia fora do centro tradicional.