TEXTO I Tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em que todo…
Gabarito: D
A questão aborda a base do pensamento contratualista clássico, comparando as visões de Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau. O ponto de convergência solicitado pelo enunciado não é a conclusão sobre a moralidade humana (onde eles divergem drasticamente), mas sim o ponto de partida metodológico de ambos: a análise da igualdade humana baseada em uma condição anterior à sociedade civil.
Enunciado
TEXTO I Tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de todo homem, é válido também para o tempo durante o qual os homens vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser oferecida por sua própria força e invenção. HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1983.
TEXTO II Não vamos concluir, com Hobbes que, por não ter nenhuma ideia de bondade, o homem seja naturalmente mau. Esse autor deveria dizer que, sendo o estado de natureza aquele em que o cuidado de nossa conservação é menos prejudicial à dos outros, esse estado era, por conseguinte, o mais próprio à paz e o mais conveniente ao gênero humano. ROUSSEAU, J.-J. Discurso sobre a origem e o fundamento da desigualdade entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1993 (adaptado).
Os trechos apresentam divergências conceituais entre autores que sustentam um entendimento segundo o qual a igualdade entre os homens se dá em razão de uma
Alternativas
- A)
predisposição ao conhecimento.
- B)
submissão ao transcendente.
- C)
tradição epistemológica.
- D)
condição original.
Resposta correta - E)
vocação política.
Resolução comentada
A questão aborda a base do pensamento contratualista clássico, comparando as visões de Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau. O ponto de convergência solicitado pelo enunciado não é a conclusão sobre a moralidade humana (onde eles divergem drasticamente), mas sim o ponto de partida metodológico de ambos: a análise da igualdade humana baseada em uma condição anterior à sociedade civil.
- Ambos os filósofos utilizam o conceito de estado de natureza. Para Hobbes, no estado de natureza, os homens são iguais na capacidade de causar dano uns aos outros (força e astúcia), o que gera a guerra de todos contra todos.
- Para Rousseau, a igualdade no estado de natureza reside na liberdade original e na ausência de propriedade privada, sendo um estado de paz e harmonia que é corrompido pela civilização.
- Portanto, a igualdade é fundamentada na condição original (o estado de natureza), independentemente de como cada autor descreve as características dessa condição.
Análise das alternativas:
- Incorreta. O aluno isola o termo "invenção" no Texto I e o interpreta como busca científica. Operação errada: ele atribui de peso ao intelecto e à política, resultando em uma predisposição ao conhecimento em vez de uma condição de sobrevivência.
- Incorreta. O aluno confunde o período histórico (Idade Moderna) com o teocentrismo medieval. Operação errada: substitui o conceito de "segurança própria" (força humana) por "segurança divina", calculando a base da igualdade como uma submissão comum a um ser transcendente (fator religioso em vez de fator antropológico ).
- Incorreta. O aluno confunde Filosofia Política com Epistemologia (teoria do conhecimento). Operação errada: ele lê "ideia de bondade" no texto de Rousseau e assume que a discussão é sobre a origem das ideias, somando categorias erradas: política + conhecimento = tradição epistemológica.
- Correta. Ambos os autores fundamentam sua argumentação na hipótese do estado de natureza, que representa a condição original e pré-social do ser humano, onde todos são essencialmente iguais antes das convenções da sociedade civil.
- Incorreta. O aluno projeta a tese de Aristóteles ("homem como animal político") sobre os contratualistas. Operação errada: ele inverte a lógica contratualista onde a política é um artifício (resultado ) e a natureza é a base (causa ), considerando a política como uma vocação inata ().