Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”,…
Gabarito: B
O texto apresenta um trecho da Suma Teológica, de São Tomás de Aquino, que exemplifica o pensamento da Escolástica. O objetivo central deste movimento era conciliar a fé cristã com a razão filosófica, utilizando, muitas vezes, a lógica aristotélica ou argumentos racionais (como o argumento ontológico de Anselmo de Cantuária, aqui reformulado) para sustentar dogmas religiosos. O raciocínio apresentado parte da definição do conceito de Deus (aquilo do qual nada maior pode ser concebido) para concluir que a sua existência é uma necessidade lógica e evidente, não apenas no pensamento, mas também na realidade. Assim, a razão é colocada a serviço da fé, demonstrando que a existência divina pode ser sustentada por meio de deduções intelectuais.
Enunciado
Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente. TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica. Rio de Janeiro: Loyola, 2002. O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por
Alternativas
- A)
reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos.
- B)
sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé.
Resposta correta - C)
explicar as virtudes teologais pela demonstração.
- D)
flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados.
- E)
justificar pragmaticamente crença livre de dogmas.
Resolução comentada
O texto apresenta um trecho da Suma Teológica, de São Tomás de Aquino, que exemplifica o pensamento da Escolástica. O objetivo central deste movimento era conciliar a fé cristã com a razão filosófica, utilizando, muitas vezes, a lógica aristotélica ou argumentos racionais (como o argumento ontológico de Anselmo de Cantuária, aqui reformulado) para sustentar dogmas religiosos. O raciocínio apresentado parte da definição do conceito de Deus (aquilo do qual nada maior pode ser concebido) para concluir que a sua existência é uma necessidade lógica e evidente, não apenas no pensamento, mas também na realidade. Assim, a razão é colocada a serviço da fé, demonstrando que a existência divina pode ser sustentada por meio de deduções intelectuais.
Análise das alternativas:
- Incorreta. O aluno atribui peso à função social da Igreja (combate a heresias) e ao conteúdo lógico do texto. Por exemplo: o aluno foca no contexto histórico externo em vez de analisar a operação interna do texto, obtendo um desvio de análise de do objeto proposto.
- Correta. O texto demonstra o uso do intelecto e da lógica para provar uma verdade que é aceita pela fé (a existência de Deus), o que caracteriza a síntese escolástica entre teologia e filosofia.
- Incorreta. O aluno soma o termo demonstração (valor ) com o conceito de virtudes teologais (valor ) extraído de outro contexto, obtendo a soma , que substitui o objeto real do texto (Existência de Deus) por um tema moral-espiritual.
- Incorreta. O aluno subtrai a autoridade institucional do uso da lógica, acreditando que o uso da razão gera uma flexibilidade de na interpretação oficial. Na verdade, para Tomás de Aquino, a razão e a fé somam na confirmação do dogma, sem flexibilizar o texto sagrado.
- Incorreta. O aluno aplica um operador de inversão (NOT) ao conceito de dogma, interpretando erroneamente que a lógica implica ausência de crença dogmática. Por exemplo: o aluno calcula , ignorando que o pragmatismo é uma corrente moderna, e não medieval.