Na Idade Média, para elaborar preparados a partir de plantas…
Gabarito: A
A questão aborda a extração de óleos essenciais, que são substâncias lipofílicas e, em sua grande maioria, altamente voláteis. A prática medieval de coletar as plantas ao raiar do dia (antes do aquecimento solar intenso) encontra justificativa científica na termodinâmica desses compostos.
Enunciado
Na Idade Média, para elaborar preparados a partir de plantas produtoras de óleos essenciais, as coletas das espécies eram realizadas ao raiar do dia. Naquela época, essa prática era fundamentada misticamente pelo efeito mágico dos raios lunares, que seria anulado pela emissão dos raios solares. Com a evolução da ciência, foi comprovado que a coleta de algumas espécies ao raiar do dia garante a obtenção de material com maiores quantidades de óleos essenciais. A explicação científica que justifica essa prática se baseia na
Alternativas
- A)
volatização das substâncias de interesse.
Resposta correta - B)
polimerização dos óleos catalisada pela radiação solar.
- C)
solubilização das substâncias de interesse pelo orvalho.
- D)
oxidação do óleo pelo oxigênio produzido na fotossíntese.
- E)
liberação das moléculas de óleo durante o processo de fotossíntese.
Resolução comentada
GABARITO: A
A questão aborda a extração de óleos essenciais, que são substâncias lipofílicas e, em sua grande maioria, altamente voláteis. A prática medieval de coletar as plantas ao raiar do dia (antes do aquecimento solar intenso) encontra justificativa científica na termodinâmica desses compostos.
Os óleos essenciais são compostos por moléculas pequenas (como terpenos e fenilpropanoides) que possuem baixa temperatura de ebulição e alta pressão de vapor. Ao raiar do dia, a temperatura ambiente e a temperatura dos tecidos vegetais são mínimas. À medida que o sol nasce e a radiação incide sobre a planta, a temperatura aumenta, fornecendo energia cinética às moléculas do óleo. Isso acelera o processo de volatilização (passagem do estado líquido para o gasoso), fazendo com que o óleo escape para a atmosfera. Portanto, a concentração dessas substâncias na planta é máxima antes que o calor do dia promova sua evaporação.
- Correta. A volatilização é o processo físico de evaporação. Como os óleos são voláteis, o aumento da temperatura diurna reduz a massa de óleo presente nos tecidos vegetais.
- Incorreta. O aluno supõe uma reação química de polimerização induzida pela radiação UV. Embora a radiação possa causar degradação, a perda quantitativa imediata observada em óleos essenciais durante o dia é um fenômeno físico de mudança de estado, não uma síntese de polímeros que os tornaria sólidos ou fixos.
- Incorreta. O aluno desconsidera a polaridade das substâncias, assumindo que óleos (hidrofóbicos) se dissolvem no orvalho (água). Ele calcula erroneamente que a presença de água líquida sobre a folha removeria o óleo por solubilidade, quando, na verdade, a água do orvalho e os óleos são imiscíveis.
- Incorreta. O aluno associa o aumento do oxigênio fotossintético com a oxidação imediata dos óleos. Ele assume que se a taxa de fotossíntese é maior ao meio-dia, a oxidação também será, ignorando que o fator limitante para a preservação do material coletado é a temperatura e a evaporação física.
- Incorreta. O aluno confunde processos fisiológicos independentes. Ele assume uma relação direta onde a fotossíntese (produção de carboidratos) causaria a expulsão ou "liberação" de óleos secundários. Por exemplo, o aluno imagina que para cada molécula de fixada, ocorreria a liberação de uma unidade de óleo, o que não possui fundamento biológico, já que óleos essenciais são armazenados em estruturas como tricomas glandulares ou canais secretores para defesa, e não liberados como subprodutos da fotossíntese.