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A crítica é uma questão de distância certa. O olhar hoje mais…

Gabarito: A

A questão propõe uma reflexão fundamentada na obra de Walter Benjamin, especificamente sobre a transformação da percepção estética e da capacidade crítica no contexto da modernidade, marcada pela propaganda e pelo cinema. Para Benjamin, a "crítica é uma questão de distância certa". A análise crítica exige o distanciamento necessário para a contemplação e o julgamento racional. No entanto, a lógica mercantil (propaganda) e os meios de massa (cinema) destroem essa distância ao forçar uma "espetacular, rígida e repentina proximidade".

Enunciado

A crítica é uma questão de distância certa. O olhar hoje mais essencial, o olho mercantil que penetra no coração das coisas, chama-se propaganda. Esta arrasa o espaço livre da contemplação e aproxima tanto as coisas, coloca-as tão debaixo do nariz quanto o automóvel que sai da tela de cinema e cresce, gigantesco, tremeluzindo em direção a nós. E, do mesmo modo que o cinema não oferece móveis e fachadas a uma observação crítica completa, mas dá apenas a sua espetacular, rígida e repentina proximidade, também a propaganda autêntica transporta as coisas para primeiro plano e tem um ritmo que corresponde ao de um bom filme.

BENJAMIN, W. Rua de mão única: infância berlinense – 1900. Belo Horizonte: Autêntica, 2013 (adaptado).

O texto apresenta um entendimento do filósofo Walter procedimento de análise crítica em virtude do(a)

Alternativas

  • A)

    caráter ilusório das imagens.

    Resposta correta
  • B)

    evolução constante da tecnologia.

  • C)

    aspecto efêmero dos acontecimentos.

  • D)

    conteúdo objetivo das informações.

  • E)

    natureza emancipadora das opiniões.

Resolução comentada

A questão propõe uma reflexão fundamentada na obra de Walter Benjamin, especificamente sobre a transformação da percepção estética e da capacidade crítica no contexto da modernidade, marcada pela propaganda e pelo cinema. Para Benjamin, a "crítica é uma questão de distância certa". A análise crítica exige o distanciamento necessário para a contemplação e o julgamento racional. No entanto, a lógica mercantil (propaganda) e os meios de massa (cinema) destroem essa distância ao forçar uma "espetacular, rígida e repentina proximidade".

Essa proximidade ilusória — exemplificada pela imagem de um automóvel que cresce na tela de cinema — anula o espaço de reflexão. Assim, a análise crítica é prejudicada pelo caráter ilusório das imagens, que capturam o olhar de forma hipnótica e imediata, impedindo a observação crítica completa.

Análise das alternativas:

  • Correta. A. O autor destaca que os novos meios de imagem (propaganda e cinema) trazem as coisas para um primeiro plano agressivo, eliminando o recuo necessário para a crítica. Esse efeito cria um simulacro de realidade que Benjamin descreve como uma proximidade espetacular e tremeluzente, ou seja, um caráter ilusório que substitui a contemplação profunda pela reação imediata.
  • Incorreta. B. O aluno identifica os elementos tecnológicos (cinema, automóvel) e infere erroneamente que o tema central é a sua evolução técnica. Operação errada: o aluno calcula Tecnologia+Tempo=Evoluc¸a˜o\text{Tecnologia} + \text{Tempo} = \text{Evolução} (2 unidades de progresso), ignorando que o texto foca no efeito espacial e estético da proximidade, e não na cronologia das máquinas.
  • Incorreta. C. O aluno confunde o "ritmo" e a "proximidade repentina" com a brevidade do tempo. Operação errada: o aluno converte a distância física em tempo, calculando que ΔS0    Δt0\Delta S \rightarrow 0 \implies \Delta t \rightarrow 0 (distância zero igual a tempo efêmero), quando Benjamin está discutindo a qualidade da percepção espacial e não a duração dos eventos.
  • Incorreta. D. O aluno interpreta o "olhar mercantil que penetra no coração das coisas" como um acesso à verdade factual. Operação errada: o aluno atribui o valor 100% (Objetividade)100\% \text{ (Objetividade)} à propaganda, confundindo a intrusão agressiva do marketing com a clareza informativa.
  • Incorreta. E. O aluno pressupõe que a quebra da tradição e a proximidade das massas com a imagem são inerentemente libertadoras. Operação errada: o aluno postula que 1Contemplac¸a˜o=Emancipac¸a˜o1 - \text{Contemplação} = \text{Emancipação} (obtendo 1), quando, para o autor, a perda do espaço livre da contemplação resulta em uma redução da capacidade crítica do sujeito.

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