Quinze de Novembro Deodoro todo nos trinques Bate na porta de Dão…
Gabarito: A
A questão aborda a estética da primeira fase do Modernismo brasileiro (conhecida como Fase Heroica), especificamente a obra de Murilo Mendes. Um dos pilares desse período, influenciado pelo movimento Pau-Brasil de Oswald de Andrade, era a releitura crítica e paródica da história nacional. O poema desmistifica o evento solene da Proclamação da República, transformando uma mudança de regime em um diálogo coloquial e doméstico entre Marechal Deodoro e Dom Pedro II. O uso de expressões populares e a atitude relaxada do imperador (que prefere suas obras de Victor Hugo ao trono) caracterizam a desacralização do passado, típica do ideário modernista de 1922.
Enunciado
Quinze de Novembro Deodoro todo nos trinques Bate na porta de Dão Pedro Segundo. — Seu imperado, dê o fora que nós queremos tomar conta desta bugiganga. Mande vir os músicos. O imperador bocejando responde: — Pois não meus filhos não se vexem me deixem calçar as chinelas podem entrar à vontade: só peço que não me bulam nas obras completas de Victor Hugo.
MENDES, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
A poesia de Murilo Mendes dialoga com o ideário poético dos primeiros modernistas. No poema, essa atitude manifesta-se na
Alternativas
- A)
releitura irônica de um fato histórico.
Resposta correta - B)
visão ufanista de um episódio nacional.
- C)
denúncia implícita de atitudes autoritárias.
- D)
isenção ideológica do discurso do eu lírico.
- E)
representação saudosista do regime monárquico.
Resolução comentada
A questão aborda a estética da primeira fase do Modernismo brasileiro (conhecida como Fase Heroica), especificamente a obra de Murilo Mendes. Um dos pilares desse período, influenciado pelo movimento Pau-Brasil de Oswald de Andrade, era a releitura crítica e paródica da história nacional. O poema desmistifica o evento solene da Proclamação da República, transformando uma mudança de regime em um diálogo coloquial e doméstico entre Marechal Deodoro e Dom Pedro II. O uso de expressões populares e a atitude relaxada do imperador (que prefere suas obras de Victor Hugo ao trono) caracterizam a desacralização do passado, típica do ideário modernista de 1922.
- A) Correta. O texto opera uma releitura irônica ao tratar a Proclamação da República como um evento cotidiano e informal, utilizando gírias e situações prosaicas para subverter a solenidade do fato histórico.
- B) Incorreta. Soma de nacionalismo e exaltação: . Por exemplo: o aluno soma o tema histórico ao prestígio das figuras envolvidas, obtendo o valor de ufanismo (exaltação cega), ignorando que o Modernismo aplica um fator de redução irônico sobre o nacionalismo.
- C) Incorreta. Atribuição de vetor de força agressiva: . Por exemplo: o aluno interpreta a ordem "dê o fora" como uma agressão autoritária real, obtendo uma denúncia de autoritarismo, em vez de perceber o tom cômico e a passividade absoluta da resposta do imperador.
- D) Incorreta. Divisão da estética pelo humor: . Por exemplo: o aluno calcula que a presença de humor e informalidade anula o compromisso ideológico do autor, obtendo uma isenção inexistente, já que a quebra da norma é, em si, uma posição ideológica modernista.
- E) Incorreta. Multiplicação de figura do passado por valor de saudade: . Por exemplo: o aluno associa a menção a Dom Pedro II e ao Império a um sentimento de perda, obtendo uma representação saudosista, quando o texto ridiculariza o regime ao chamá-lo de "bugiganga".