O coronelismo era fruto de alteração na relação de forças entre os…
Gabarito: D
O texto de José Murilo de Carvalho propõe uma interpretação clássica do coronelismo como um sistema de compromisso e reciprocidade entre o poder local (os coronéis, proprietários rurais) e o poder público (os governos estaduais e federais). Diferente de visões que focam exclusivamente na violência, o autor enfatiza a "barganha": o coronel oferece apoio político e eleitoral (o controle do voto) em troca do controle sobre recursos e cargos públicos (delegados, professores). Esse mecanismo de troca de favores por apoio político é o que define o clientelismo.
Enunciado
O coronelismo era fruto de alteração na relação de forças entre os proprietários rurais e o governo, e significava o fortalecimento do poder do Estado antes que o predomínio do coronel. Nessa concepção, o coronelismo é, então, um sistema político nacional, com base em barganhas entre o governo e os coronéis. O coronel tem o controle dos cargos públicos, desde o delegado de polícia até a professora primária. O coronel hipoteca seu apoio ao governo, sobretudo na forma de voto.
CARVALHO, J. M. Pontos e bordados: escritos de histórias política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998.
No contexto da Primeira República no Brasil, as relações políticas descritas baseavam-se na
Alternativas
- A)
coação das milícias locais.
- B)
estagnação da dinâmica urbana.
- C)
valorização do proselitismo partidário.
- D)
disseminação de práticas clientelistas.
Resposta correta - E)
centralização de decisões administrativas.
Resolução comentada
O texto de José Murilo de Carvalho propõe uma interpretação clássica do coronelismo como um sistema de compromisso e reciprocidade entre o poder local (os coronéis, proprietários rurais) e o poder público (os governos estaduais e federais). Diferente de visões que focam exclusivamente na violência, o autor enfatiza a "barganha": o coronel oferece apoio político e eleitoral (o controle do voto) em troca do controle sobre recursos e cargos públicos (delegados, professores). Esse mecanismo de troca de favores por apoio político é o que define o clientelismo.
- Incorreta. O aluno realiza uma generalização indevida ao focar apenas no aspecto da violência: toma a parte (o uso eventual de capangas ou milícias para garantir o voto) pelo todo (o sistema político complexo). O texto aponta que o coronelismo era, antes de tudo, uma relação institucional de troca, não apenas um domínio paramilitar.
- Incorreta. O aluno comete um erro de leitura contextual: associa a base agrária do coronelismo a uma paralisia urbana absoluta. No entanto, a Primeira República viveu surtos de industrialização e urbanização, e o texto foca na relação de forças políticas, não em índices de crescimento econômico urbano.
- Incorreta. O aluno confunde a natureza da fidelidade política: interpreta a adesão aos governos como uma convicção ideológica ou programática partidária. Na verdade, como o texto afirma, a adesão era baseada na barganha e no controle de cargos, caracterizando o personalismo e o fisiologismo, e não o debate doutrinário de ideias.
- Correta. A descrição de uma "relação de forças" baseada em "barganhas" entre o público e o privado, onde cargos são trocados por votos, é a definição precisa de práticas clientelistas no Brasil da Primeira República.
- Incorreta. O aluno inverte a lógica do pacto federativo da época: embora o texto cite o "fortalecimento do poder do Estado", esse fortalecimento ocorria através da descentralização da execução administrativa para as mãos dos coronéis locais (Política dos Governadores), o oposto de uma gestão centralizada e burocrática moderna.