MALFATTI, A. O homem amarelo, 1915-1916. Óleo sobre tela, 61 x 51 cm.…
Gabarito: D
A questão aborda o embate estético no cenário artístico brasileiro do início do século XX, tendo como eixo central a exposição de Anita Malfatti em 1917. O Texto I, de Monteiro Lobato, representa a crítica conservadora e academicista, que via a arte moderna como "anormal" ou "caricatural". O Texto II, de Oswald de Andrade, defende a artista, ressaltando que sua obra choca o "preconceito fotográfico" (o naturalismo acadêmico) e propõe uma nova realidade. Esse choque entre a tradição e o novo evidencia que o impacto das vanguardas europeias estava alterando profundamente o conceito de arte no Brasil e fomentando a necessidade de uma produção que buscasse a originalidade nacional, culminando anos depois na Semana de Arte Moderna.
Enunciado
MALFATTI, A. O homem amarelo, 1915-1916. Óleo sobre tela, 61 x 51 cm. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em: 28 fev. 2013.
TEXTO I
Embora eles, artistas modernos, se deem como novos precursores duma arte a ir, nada é mais velho que a arte anormal. De há muitos já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. Essas considerações são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti. Sejam sinceros: futurismo, cubismo, impressionismo e tutti quanti não passam de outros tantos ramos da arte caricatural.
LOBATO, M. Paranoia ou mistificação: a propósito da exposição de Anita Malfatti. O Estado de São Paulo, 20 dez.1917 (adaptado).
TEXTO II
Anita Malfatti, possuidora de uma alta consciência do que faz, a vibrante artista não temeu levantar com os seus cinquenta trabalhos as mais irritadas opiniões e as mais contrariantes hostilidades. As suas telas chocam o preconceito fotográfico que geralmente se leva no espírito para as nossas exposições de pintura. Na arte, a realidade na ilusão é o que todos procuram. E os naturalistas mais perfeitos são os que melhor conseguem iludir.
ANDRADE, O. A exposição Anita Malfatti. Jornal do Commercio, 11 jan. 1918 (adaptado).
TEXTO III
A análise dos documentos apresentados demonstra que o cenário artístico brasileiro no primeiro quartel do século XX era caracterizado pelo(a)

Alternativas
- A)
domínio do academicismo, que dificultava a recepção da vertente realista na obra de Anita Malfatti.
- B)
dissonância entre as vertentes artísticas, que divergiam sobre a validade do modelo estético europeu.
- C)
exaltação da beleza e da rigidez da forma, que justificavam a adaptação da estética europeia à realidade brasileira.
- D)
impacto de novas linguagens estéticas, que alteravam o conceito de arte e abasteciam a busca por uma produção artística nacional.
Resposta correta - E)
influência dos movimentos artísticos europeus de vanguarda, que levava os modernistas a copiarem suas técnicas e temáticas.
Resolução comentada
A questão aborda o embate estético no cenário artístico brasileiro do início do século XX, tendo como eixo central a exposição de Anita Malfatti em 1917. O Texto I, de Monteiro Lobato, representa a crítica conservadora e academicista, que via a arte moderna como "anormal" ou "caricatural". O Texto II, de Oswald de Andrade, defende a artista, ressaltando que sua obra choca o "preconceito fotográfico" (o naturalismo acadêmico) e propõe uma nova realidade. Esse choque entre a tradição e o novo evidencia que o impacto das vanguardas europeias estava alterando profundamente o conceito de arte no Brasil e fomentando a necessidade de uma produção que buscasse a originalidade nacional, culminando anos depois na Semana de Arte Moderna.
Análise das alternativas:
- Incorreta. O aluno realiza a operação lógica de igualdade entre retratação figurativa e realismo: . Por exemplo: ao ver que a obra retrata um homem, o aluno calcula que a vertente é realista, obtendo a classificação errônea da obra de Malfatti, que é marcadamente expressionista.
- Incorreta. O aluno subtrai o intercâmbio cultural da equação histórica: . Por exemplo: o aluno supõe que a divergência era sobre a validade do modelo europeu em si, ignorando que tanto os acadêmicos quanto os modernistas bebiam de fontes europeias (porém de épocas e estilos diferentes).
- Incorreta. O aluno inverte o sinal da inovação estética no cálculo do conceito modernista: . Por exemplo: o aluno atribui valor positivo à rigidez da forma em um contexto de ruptura e liberdade formal, o que contradiz a essência do movimento defendido por Oswald de Andrade.
- Correta. As novas linguagens (Vanguardas) trouxeram novos conceitos estéticos que permitiram aos artistas brasileiros questionar os padrões antigos e buscar uma expressão que refletisse a realidade nacional de forma autêntica.
- Incorreta. O aluno utiliza um fator de conversão de para a influência: . Por exemplo: o aluno calcula que o uso de técnicas europeias implica necessariamente em mimetismo servil, desconsiderando a síntese e a originalidade propostas pelos modernistas brasileiros.