Yaô Aqui có no terreiro Pelú adié Faz inveja pra gente Que não tem…
Gabarito: B
A questão aborda a composição "Yaô", de Pixinguinha e Gastão Viana, destacando a presença de termos em iorubá e referências às religiões de matriz africana (Candomblé e Umbanda). O uso do iorubá não é meramente ornamental; ele serve para legitimar e registrar a presença e a resistência da cultura africana no cenário da música popular brasileira da década de 1930. Ao inserir vocábulos como jacutá, saravá e os nomes de diversos orixás (Ogum, Oxalá, Iemanjá, Oxóssi, Nanã, Xangô), a obra celebra a herança linguística e religiosa que compõe a identidade nacional, mostrando que esses elementos permanecem vivos e pulsantes na produção artística do Brasil.
Enunciado
Yaô Aqui có no terreiro Pelú adié Faz inveja pra gente Que não tem mulher No jacutá de preto velho Há uma festa de yaô Ôi tem nêga de Ogum De Oxalá, de Iemanjá Mucama de Oxossi é caçador Ora viva Nanã Nanã Buruku Yô yôo Yô yôoo No terreiro de preto velho iaiá Vamos saravá (a quem meu pai?) Xangô!
VIANA, G. Agô, Pixinguinha! 100 Anos. Som Livre, 1997.
A canção Yaô foi composta na década de 1930 por Pixinguinha, em parceria com Gastão Viana, que escreveu a letra. O texto mistura o português com o iorubá, língua usada por africanos escravizados trazidos para o Brasil. Ao fazer uso do iorubá nessa composição, o autor
Alternativas
- A)
promove uma crítica bem-humorada às religiões afro-brasileiras, destacando diversos orixás.
- B)
ressalta uma mostra da marca da cultura africana, que se mantém viva na produção musical brasileira.
Resposta correta - C)
evidencia a superioridade da cultura africana e seu caráter de resistência à dominação do branco.
- D)
deixa à mostra a separação racial e cultural que caracteriza a constituição do povo brasileiro.
- E)
expressa os rituais africanos com maior autenticidade, respeitando as referências originais.
Resolução comentada
GABARITO: B
A questão aborda a composição "Yaô", de Pixinguinha e Gastão Viana, destacando a presença de termos em iorubá e referências às religiões de matriz africana (Candomblé e Umbanda). O uso do iorubá não é meramente ornamental; ele serve para legitimar e registrar a presença e a resistência da cultura africana no cenário da música popular brasileira da década de 1930. Ao inserir vocábulos como jacutá, saravá e os nomes de diversos orixás (Ogum, Oxalá, Iemanjá, Oxóssi, Nanã, Xangô), a obra celebra a herança linguística e religiosa que compõe a identidade nacional, mostrando que esses elementos permanecem vivos e pulsantes na produção artística do Brasil.
- Incorreta. O aluno aplica um multiplicador de ironia sobre a descrição do terreiro, interpretando erroneamente a expressão "faz inveja" como um deboche, o que o leva a concluir que existe uma crítica humorística onde há, na verdade, uma celebração das divindades mencionadas.
- Correta. O uso sistemático de léxico iorubá e a temática religiosa africana em uma canção popular de grande circulação evidenciam como a herança da diáspora africana foi integrada e preservada na cultura brasileira.
- Incorreta. O aluno eleva a valorização cultural ao quadrado, extrapolando o conceito de "presença e reconhecimento" para "superioridade hierárquica". Ele interpreta a afirmação da identidade como uma negação da cultura do branco, o que não é sustentado pelo hibridismo linguístico do texto (português + iorubá).
- Incorreta. O aluno identifica dois conjuntos linguísticos distintos (Português e Iorubá) e realiza a operação de separação em vez de união. Ao focar na origem diversa dos termos, ele conclui pela segregação racial, ignorando que a convivência dessas línguas na letra simboliza a amálgama cultural brasileira.
- Incorreta. O aluno confunde a parte (uso de vocabulário) com o todo (ritual litúrgico), operando uma generalização indevida. Ele atribui à canção popular um rigor documental ou religioso totalizante, esquecendo que se trata de uma estilização artística para fins de entretenimento e expressão musical.