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Soneto Oh! Páginas da vida que eu amava, Rompei-vos! nunca mais! tão…

Gabarito: E

O poema de Álvares de Azevedo é um exemplo paradigmático da Segunda Geração do Romantismo no Brasil, também conhecida como Mal do Século ou Ultrarromantismo. A característica central desse período, e que responde à questão sobre a "força expressiva da exacerbação romântica", é o egocentrismo levado ao extremo, manifestado por meio de um pessimismo profundo, tédio existencial e, fundamentalmente, uma obsessão pela morte.

Enunciado

Soneto

Oh! Páginas da vida que eu amava, Rompei-vos! nunca mais! tão desgraçado!... Ardei, lembranças doces do passado! Quero rir-me de tudo que eu amava! E que doido que eu fui! como eu pensava Em mãe, amor de irmã! em sossegado Adormecer na vida acalentado Pelos lábios que eu tímido beijava! Embora — é meu destino. Em treva densa Dentro do peito a existência finda Pressinto a morte na fatal doença! A mim a solidão da noite infinda! Possa dormir o trovador sem crença. Perdoa minha mãe — eu te amo ainda!

AZEVEDO, A. Lira dos vinte anos. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

A produção de Álvares de Azevedo situa-se na década de 1850, período conhecido na literatura brasileira como Ultrarromantismo. Nesse poema, a força expressiva da exacerbação romântica identifica-se com o(a)

Alternativas

  • A)

    amor materno, que surge como possibilidade de salvação para o eu lírico.

  • B)

    saudosismo da infância, indicado pela menção às figuras da mãe e da irmã.

  • C)

    construção de versos irônicos e sarcásticos, apenas com aparência melancólica.

  • D)

    presença do tédio sentido pelo eu lírico, indicado pelo seu desejo de dormir.

  • E)

    fixação do eu lírico pela ideia da morte, o que o leva a sentir um tormento constante.

    Resposta correta

Resolução comentada

O poema de Álvares de Azevedo é um exemplo paradigmático da Segunda Geração do Romantismo no Brasil, também conhecida como Mal do Século ou Ultrarromantismo. A característica central desse período, e que responde à questão sobre a "força expressiva da exacerbação romântica", é o egocentrismo levado ao extremo, manifestado por meio de um pessimismo profundo, tédio existencial e, fundamentalmente, uma obsessão pela morte.

No soneto apresentado, o eu lírico expressa um tormento que transita entre a despedida da vida e o desejo de aniquilação das memórias. O uso de termos como "fatal doenc¸a"\text{"fatal doença"}, "pressinto a morte"\text{"pressinto a morte"} e "treva densa"\text{"treva densa"} reforça a atmosfera de morbidez. A morte não é vista apenas como um fim, mas como uma fixação que tortura o eu lírico, gerando o desespero de quem se sente "ta˜o desgrac¸ado"\text{"tão desgraçado"}.

  • Incorreta. O aluno realiza a soma léxica dos termos positivos "mãe" + "amor" = "salvação", ignorando a operação de subtração existencial presente em "é meu destino" e "fatal doença". Por exemplo: o aluno foca apenas no verso 14 em vez de integrá-lo ao contexto de morte inevitável dos versos 11 e 12, obtendo a ideia de salvação materna em vez de despedida final.
  • Incorreta. O aluno isola os versos 5, 6 e 7 (referências à mãe e irmã) e atribui a eles um peso de 100% na interpretação, desconsiderando as 5 menções diretas à destruição e morte nos outros quartetos e tercetos. Por exemplo: o aluno conta apenas as 2 figuras familiares e ignora os 11 versos de sofrimento e agonia, interpretando o poema como puramente saudosista.
  • Incorreta. O aluno aplica a categoria estética da ironia (presente em outras obras de Azevedo como "Noite na Taverna") ao contexto de um poema confessional e melancólico, invertendo o sinal emocional de -1 (sofrimento real) para +1 (simulação/sarcasmo). Por exemplo: o aluno interpreta o verso "Quero rir-me de tudo" como deboche literário em vez de um riso desesperado e histérico diante da morte iminente.
  • Incorreta. O aluno reduz a metáfora "dormir o trovador" (verso 13) ao sentido literal de tédio ou cansaço diário, ignorando a variável "fatal doença" (verso 11). Por exemplo: o aluno substitui a ideia de "morte eterna" pelo valor de "repouso momentâneo", obtendo o conceito de tédio em vez da angústia escatológica característica do Mal do Século.
  • Correta. A exacerbação romântica no texto é construída através da consciência da finitude e do sofrimento físico e espiritual. O eu lírico não apenas aceita a morte, mas é fixado por ela, tratando-a como um destino trágico ("fatal") que encerra uma existência de trevas e solidão.

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