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O Jornal do Commércio deu um brado esta semana contra as casas que…

Gabarito: B

Nesta crônica, Machado de Assis utiliza sua característica ironia para analisar o contexto social do Rio de Janeiro no século XIX, especificamente sobre a comercialização de substâncias medicinais (drogas) nas boticas. O raciocínio do autor desenvolve-se da seguinte forma:

Enunciado

O Jornal do Commércio deu um brado esta semana contra as casas que vendem drogas para curar a gente, acusando-as de as vender para outros fins menos humanos. Citou os envenenamentos que tem havido na cidade, mas esqueceu de dizer, ou não acentuou bem, que são produzidos por engano das pessoas que manipulam os remédios. Um pouco mais de cuidado, um pouco menos de distração ou de ignorância, evitarão males futuros. Mas todo ofício tem uma aprendizagem, e não há benefício humano que não custe mais ou menos duras agonias. Cães, coelhos e outros animais são vítimas de estudos que lhes não aproveitam, e sim aos homens; por que não serão alguns destes, vítimas do que há de aproveitar aos contemporâneos e vindouros? Há um argumento que desfaz em parte todos esses ataques às boticas; é que o homem é em si mesmo um laboratório. Que fundamento jurídico haverá para impedir que eu manipule e venda duas drogas perigosas? Se elas matarem, o prejudicado que exija de mim a indenização que entender; se não matarem, nem curarem, é um acidente e um bom acidente, porque a vida fica.

ASSIS, M. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1967 (fragmento).

No gênero crônica, Machado de Assis legou inestimável contribuição para o conhecimento do contexto social de seu tempo e seus hábitos culturais. O fragmento destacado comprova que o escritor avalia o(a)

Alternativas

  • A)

    manipulação inconsequente dos remédios pela população.

  • B)

    uso de animais em testes com remédios desconhecidos.

    Resposta correta
  • C)

    fato de as drogas manipuladas não terem eficácia garantida.

  • D)

    hábito coletivo de experimentar drogas com objetivos terapêuticos.

  • E)

    ausência de normas jurídicas para regulamentar a venda nas boticas.

Resolução comentada

Nesta crônica, Machado de Assis utiliza sua característica ironia para analisar o contexto social do Rio de Janeiro no século XIX, especificamente sobre a comercialização de substâncias medicinais (drogas) nas boticas. O raciocínio do autor desenvolve-se da seguinte forma:

  1. O autor inicia citando uma denúncia jornalística sobre o uso inadequado de venenos vendidos por farmácias, mas pondera que a causa é a 'distração' ou 'ignorância' de quem manipula.
  2. Em seguida, ele estabelece uma analogia cínica: se animais são sacrificados em estudos para benefício humano, por que alguns homens não poderiam ser vítimas (por erro de medicação) para o progresso da medicina, já que o homem é, em si, um laboratório?
  3. O ponto culminante do fragmento é o questionamento sobre o 'fundamento jurídico' para impedir a venda de drogas perigosas. Machado expõe a falta de regulamentação da época, em que a responsabilidade era meramente privada (indenização) e não estatal ou normativa.

Portanto, a avaliação de Machado recai sobre a fragilidade institucional e a ausência de normas que controlassem a atividade das boticas, permitindo que a saúde pública ficasse à mercê da sorte ou da manipulação inconsequente.

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