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O correr da vida embrulha tudo. A vida e assim: esquenta e esfria,…

Gabarito: D

O fragmento apresentado pertence à obra Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, especificamente a um dos momentos de reflexão metafísica do protagonista Riobaldo. A estrutura do texto é marcada pela brevidade e pela densidade filosófica, buscando condensar uma verdade universal sobre a existência humana a partir da observação da natureza da vida (o seu constante 'esquentar e esfriar').

Enunciado

O correr da vida embrulha tudo. A vida e assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente e coragem. ROSA, J. G. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. No romance Grande sertão: veredas , o protagonista Riobaldo narra sua trajetória de jagunço. A leitura do trecho permite identificar que o desabafo de Riobaldo se aproxima de um(a)

Alternativas

  • A)

    diário, por trazer lembranças pessoais.

  • B)

    fábula, por apresentar uma lição de moral.

  • C)

    notícia, por informar sobre um acontecimento.

  • D)

    aforismo, por expor uma máxima em poucas palavras.

    Resposta correta
  • E)

    crônica, por tratar de fatos do cotidiano.

Resolução comentada

O fragmento apresentado pertence à obra Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, especificamente a um dos momentos de reflexão metafísica do protagonista Riobaldo. A estrutura do texto é marcada pela brevidade e pela densidade filosófica, buscando condensar uma verdade universal sobre a existência humana a partir da observação da natureza da vida (o seu constante 'esquentar e esfriar').

O termo técnico para esse tipo de formulação é aforismo. Um aforismo é um enunciado curto que expressa uma máxima, um preceito moral ou uma reflexão filosófica de caráter geral de maneira incisiva. No trecho, a conclusão 'O que ela quer da gente é coragem' funciona como o ápice dessa síntese de pensamento, caracterizando perfeitamente o gênero.

  • Incorreta. O aluno soma a 'narrativa em primeira pessoa' (+1+1) à 'subjetividade' (+1+1), obtendo o valor de diário (22). Por exemplo: o aluno ignora que o diário exige uma estrutura cronológica e confessional datada, o que não ocorre nesta reflexão universalizante.
  • Incorreta. O aluno identifica um 'conselho' (11) e tenta multiplicá-lo pela 'presença de antíteses' (11), resultando em fábula (11). Por exemplo: o aluno confunde a lição existencial com a 'moral da história' típica de narrativas alegóricas com animais, ausentes no trecho.
  • Incorreta. O aluno divide a 'descrição de fatos' (11) pelo 'uso do presente' (11), chegando ao valor de notícia (11). Por exemplo: o aluno interpreta erroneamente o relato de Riobaldo como uma informação factual objetiva, em vez de uma percepção lírico-filosófica.
  • Incorreta. O aluno subtrai a 'densidade metafórica' (1-1) da 'temática do cotidiano' (22), marcando crônica (11). Por exemplo: o aluno foca na expressão 'esquenta e esfria' como um evento trivial do dia a dia, esquecendo que a crônica exige uma crônica narrativa baseada em incidentes específicos, não apenas em definições abstratas da vida.

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