TEXTO I Disponível em: www.cefivasf.univasf.edu.br. Acesso em: 6 jun.…
Gabarito: D
A questão propõe uma reflexão sobre a natureza da arte popular brasileira contemporânea, cruzando a visualidade expressiva das esculturas em madeira (Texto I) com a análise sociológica de Lélia Coelho Frota (Texto II). O ponto central é a transição da criação puramente coletiva ou folclórica para uma produção marcada pela subjetividade, onde o artista popular não apenas repete padrões, mas imprime sua própria biografia e identidade na obra.
Enunciado
TEXTO I
Disponível em: www.cefivasf.univasf.edu.br. Acesso em: 6 jun. 2013.
TEXTO II
Partindo do chão coletivo da comunidade rural ou das cidades, à medida que se impregna de um ethos urbano — seja por migração, seja pela difusão de novos conteúdos midiáticos —, irão surgindo indivíduos que, na área da visualidade, gerarão uma obra de feição original, autoral, única. O indivíduo-sujeito recorre à memória para a construção de uma biografia, a fim de criar seu projeto artístico, a sua identidade social.
FROTA, L. C. Pequeno dicionário da arte do povo brasileiro (século XX). Rio de Janeiro: Aeroplano, 2005.
A partir dos textos apresentados, os trabalhos que são pertinentes à criação popular caracterizam-se por

Alternativas
- A)
temática nacionalista que abrange áreas regionais amplas.
- B)
produção de obras utilizando materiais e técnicas tradicionais da arte acadêmica.
- C)
ligação estrutural com a arte canônica pela exposição e recepção em museus e galerias.
- D)
abordagem peculiar da realidade e do contexto, seguindo criação pessoal particular.
Resposta correta - E)
criação de técnicas e temas comuns a determinado grupo ou região, gerando movimentos artísticos.
Resolução comentada
A questão propõe uma reflexão sobre a natureza da arte popular brasileira contemporânea, cruzando a visualidade expressiva das esculturas em madeira (Texto I) com a análise sociológica de Lélia Coelho Frota (Texto II). O ponto central é a transição da criação puramente coletiva ou folclórica para uma produção marcada pela subjetividade, onde o artista popular não apenas repete padrões, mas imprime sua própria biografia e identidade na obra.
Ao analisar o Texto II, percebe-se que a autora destaca a emergência de um "indivíduo-sujeito" que gera obras de "feição original, autoral, única". Isso desmistifica a ideia de que a arte popular é estática ou impessoal. As esculturas do Texto I, com suas expressões faciais intensas e características singulares, exemplificam essa abordagem peculiar que o artista dá à sua realidade e contexto imediato, transformando a memória e o meio social em um projeto artístico particular.
- Incorreta. O aluno realiza uma generalização indevida: ele expande o conceito de "comunidade" (unidade básica citada) por um fator de escala geográfica macro, interpretando erroneamente o "chão coletivo" local como uma temática nacionalista de abrangência regional ampla.
- Incorreta. O aluno assume uma falsa equivalência técnica: ao ler "obra de feição original", ele atribui 100% desse valor à tradição acadêmica, ignorando que o Texto I utiliza entalhes em madeira e formas brutas, típicas da tradição popular e não do cânone das belas-artes.
- Incorreta. O aluno inverte a prioridade do texto: ele foca na "identidade social" como um produto de validação institucional (museus), enquanto o Texto II afirma que a identidade é criada pelo "indivíduo-sujeito" a partir de sua biografia, antes de qualquer recepção externa.
- Correta. Esta alternativa sintetiza os termos do Texto II ("original, autoral, única") ao descrever a criação popular como uma abordagem peculiar da realidade pautada na criação pessoal e particular do artista.
- Incorreta. O aluno ignora a transição individual descrita no texto: ele mantém o foco em 100% de elementos comuns ao grupo, falhando em perceber o surgimento do indivíduo autoral mencionado pela autora ("indivíduos que... gerarão uma obra de feição original").