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Como os gêneros são históricos e muitas vezes estão ligados às…

Gabarito: A

O fragmento de Luiz Antônio Marcuschi discute a evolução dos gêneros textuais sob a influência das tecnologias de comunicação. O autor argumenta que, embora novos gêneros surjam com novos suportes tecnológicos (como o meio eletrônico), eles não são criações isoladas; eles carregam traços de gêneros preexistentes, um processo conhecido na linguística como remediação ou intergenericidade. A questão solicita a identificação de um par onde o gênero digital claramente remete a um gênero tradicional.

Enunciado

Como os gêneros são históricos e muitas vezes estão ligados às tecnologias, eles permitem que surjam novidades nesse campo, mas são novidades com algum gosto do conhecido. Observem-se as respectivas tecnologias e alguns de seus gêneros: telegrama; telefonema; entrevista televisiva; entrevista radiofônica; roteiro cinematográfico e muitos outros que foram surgindo com tecnologias específicas. Neste sentido, é claro que a tecnologia da computação, por oferecer uma nova perspectiva de uso da escrita num meio eletrônico muito maleável, traz mais possibilidades de inovação. MARCUSCHI, L. A. Disponível em: www.progesp.ufba.br. Acesso em: 23 jul. 2012 (fragmento). O avanço das tecnologias de comunicação e informação fez, nas últimas décadas, com que surgissem novos gêneros textuais. Esses novos gêneros, contudo, não são totalmente originais, pois eles inovam em alguns pontos, mas remetem a outros gêneros textuais preexistentes, como ocorre no seguinte caso:

Alternativas

  • A)

    O gênero e-mail mantém características dos gêneros carta e bilhete.

    Resposta correta
  • B)

    O gênero aula virtual mantém características do gênero reunião de grupo.

  • C)

    O gênero bate-papo virtual mantém características do gênero conferência.

  • D)

    O gênero videoconferência mantém características do gênero aula presencial.

  • E)

    O gênero lista de discussão mantém características do gênero palestra.

Resolução comentada

O fragmento de Luiz Antônio Marcuschi discute a evolução dos gêneros textuais sob a influência das tecnologias de comunicação. O autor argumenta que, embora novos gêneros surjam com novos suportes tecnológicos (como o meio eletrônico), eles não são criações isoladas; eles carregam traços de gêneros preexistentes, um processo conhecido na linguística como remediação ou intergenericidade. A questão solicita a identificação de um par onde o gênero digital claramente remete a um gênero tradicional.

  • Correta. O e-mail (electronic mail) é a versão digital da carta e do bilhete. Ele mantém a estrutura de remetente, destinatário, assunto, corpo do texto e fórmulas de despedida, adaptando a função de correspondência para a velocidade do meio eletrônico.
  • Incorreta. O aluno opera uma equivalência funcional de 1:1 entre qualquer interação síncrona e reuniões. Por exemplo: o aluno soma o fator 1 (ambiente virtual)+1 (grupo)1 \text{ (ambiente virtual)} + 1 \text{ (grupo)} e obtém o valor 'reunião de grupo', ignorando que a aula virtual é uma transposição direta do gênero aula presencial, que possui objetivos pedagógicos específicos e não meramente administrativos ou sociais como uma reunião.
  • Incorreta. O aluno estabelece uma correlação errônea entre o suporte e o registro. Por exemplo: o aluno aplica uma razão de 100%100\% de semelhança entre 'conversa' e 'conferência', falhando em distinguir que o bate-papo virtual é fragmentado e informal, enquanto a conferência é um gênero formal e estruturado.
  • Incorreta. O aluno confunde a ferramenta com o gênero. Por exemplo: ele define a operação como Suporte=Geˆnero\text{Suporte} = \text{Gênero}, obtendo 'videoconferência' como sinônimo de 'aula'. No entanto, a videoconferência é apenas o suporte tecnológico que pode abrigar diversos gêneros, como entrevistas, reuniões ou até consultas médicas.
  • Incorreta. O aluno inverte a lógica do fluxo comunicativo. Por exemplo: ele considera a relação nnn \to n (muitos para muitos) da lista de discussão como equivalente à relação 1n1 \to n (um para muitos) da palestra, obtendo um valor de similaridade inexistente entre um debate colaborativo e uma exposição monológica.

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