Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos…
Gabarito: A
O texto de Immanuel Kant descreve a transição fundamental do pensamento moderno conhecida como "Revolução Copernicana" na filosofia. Assim como Nicolau Copérnico inverteu o modelo astronômico (tirando a Terra do centro e colocando o Sol), Kant inverteu o modelo epistemológico. No modelo tradicional (realismo/empirismo ingênuo), o sujeito era passivo e deveria se regular pelo objeto para conhecê-lo. Na proposta kantiana (Idealismo Transcendental), o sujeito é ativo: as estruturas da nossa razão (formas da sensibilidade e categorias do entendimento) é que organizam e determinam como os objetos nos aparecem. O confronto citado ocorre, portanto, entre a visão de que o conhecimento se regula pelos objetos e a visão de que os objetos se regulam pelo conhecimento do sujeito.
Enunciado
Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento. KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado). O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que
Alternativas
- A)
assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
Resposta correta - B)
defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
- C)
revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica.
- D)
apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.
- E)
refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant.
Resolução comentada
O texto de Immanuel Kant descreve a transição fundamental do pensamento moderno conhecida como "Revolução Copernicana" na filosofia. Assim como Nicolau Copérnico inverteu o modelo astronômico (tirando a Terra do centro e colocando o Sol), Kant inverteu o modelo epistemológico. No modelo tradicional (realismo/empirismo ingênuo), o sujeito era passivo e deveria se regular pelo objeto para conhecê-lo. Na proposta kantiana (Idealismo Transcendental), o sujeito é ativo: as estruturas da nossa razão (formas da sensibilidade e categorias do entendimento) é que organizam e determinam como os objetos nos aparecem. O confronto citado ocorre, portanto, entre a visão de que o conhecimento se regula pelos objetos e a visão de que os objetos se regulam pelo conhecimento do sujeito.
- Correta. As duas posições citadas por Kant são antagônicas: a primeira coloca o objeto como centro do processo cognitivo (o conhecimento é reflexo do objeto), enquanto a segunda coloca as faculdades do sujeito como centro (o objeto é construído conforme as condições de possibilidade do sujeito).
- Incorreta. O aluno confunde a crítica aos limites da razão com a negação da possibilidade do conhecimento. Operação errada: o aluno subtrai a possibilidade de conhecer a "coisa em si" e conclui erroneamente que o conhecimento fenomênico é zero (), quando Kant defende a validade do conhecimento científico dentro dos limites da experiência.
- Incorreta. Embora Kant busque sintetizar empirismo e racionalismo, o trecho específico foca na inversão da relação sujeito-objeto e não apenas na cooperação entre dados e reflexão. Operação errada: o aluno realiza uma soma genérica de fatores () em vez de identificar a mudança de eixo hierárquico proposta no texto.
- Incorreta. O aluno confunde o Idealismo Transcendental com o Idealismo Platônico ou Racionalismo Dogmático. Operação errada: o aluno atribui peso total às ideias (peso ) e anula a necessidade da experiência sensível (peso ), ignorando que para Kant "pensamentos sem conteúdo são vazios".
- Incorreta. O aluno interpreta o termo "experimentar" no texto como um descarte total de ambas as hipóteses precedentes. Operação errada: em vez de ver a segunda posição como a tese de Kant, o aluno aplica um operador de negação em ambas as proposições (), falhando em notar que a segunda proposta é o próprio núcleo da revolução kantiana.