Nossa cultura lipofóbica muito contribui para a distorção da imagem…
Gabarito: D
O texto aborda a construção social da imagem corporal em uma cultura que o autor denomina como "lipofóbica" (aversão à gordura). O ponto central da argumentação reside na transposição de uma condição biológica ou física para o campo da moralidade e do caráter. Ao utilizar termos como "pecado da gula" e afirmar que as pessoas engordam por serem "gulosas", o discurso promove a disciplinarização dos corpos através da vigilância constante e da punição psicológica. A consequência direta desse tipo de retórica é a transferência de toda a responsabilidade pelo estado físico para o indivíduo, tratando a obesidade não como uma questão de saúde pública complexa (envolvendo genética, metabolismo e ambiente socioeconômico), mas como uma falha moral ou falta de força de vontade.
Enunciado
Nossa cultura lipofóbica muito contribui para a distorção da imagem corporal, gerando gordos que se veem magros e magros que se veem gordos, numa quase unanimidade de que todos se sentem ou se veem “distorcidos”. Engordamos quando somos gulosos. É pecado da gula que controla a relação do homem com a balança. Todo obeso declarou, um dia, guerra à balança. Para emagrecer é preciso fazer as pazes com a dita cuja, visando adequar-se às necessidades para as quais ela aponta.
FREIRE, D. S. Obesidade não pode ser pré-requisito. Disponível em: http//gnt.globo.com. Acesso em: 3 abr. 2012 (adaptado).
O texto apresenta um discurso de disciplinarização dos corpos, que tem como consequência
Alternativas
- A)
a ampliação dos tratamentos médicos alternativos, reduzindo os gastos com remédios.
- B)
a democratização do padrão de beleza, tornando-o acessível pelo esforço individual.
- C)
o controle do consumo, impulsionando uma crise econômica na indústria de alimentos.
- D)
a culpabilização individual, associando obesidade à fraqueza de caráter.
Resposta correta - E)
o aumento da longevidade, resultando no crescimento populacional.
Resolução comentada
O texto aborda a construção social da imagem corporal em uma cultura que o autor denomina como "lipofóbica" (aversão à gordura). O ponto central da argumentação reside na transposição de uma condição biológica ou física para o campo da moralidade e do caráter. Ao utilizar termos como "pecado da gula" e afirmar que as pessoas engordam por serem "gulosas", o discurso promove a disciplinarização dos corpos através da vigilância constante e da punição psicológica. A consequência direta desse tipo de retórica é a transferência de toda a responsabilidade pelo estado físico para o indivíduo, tratando a obesidade não como uma questão de saúde pública complexa (envolvendo genética, metabolismo e ambiente socioeconômico), mas como uma falha moral ou falta de força de vontade.
- Incorreta. O aluno ignora o foco sociológico do texto e foca em uma suposta consequência pragmática de saúde pública. Por exemplo: o aluno supõe que a crítica ao padrão levaria a um aumento de 100% na busca por terapias alternativas, ignorando que o texto trata de estigma e não de gestão hospitalar ou farmacêutica.
- Incorreta. O aluno confunde a exigência de esforço individual com democratização. Por exemplo: o aluno interpreta que, se o corpo depende do esforço, todos têm a mesma chance, ignorando que o texto descreve um processo de "distorção" e "pecado", o que gera exclusão em vez de acesso igualitário ao padrão de beleza.
- Incorreta. O aluno realiza uma extrapolação macroeconômica indevida. Por exemplo: o aluno associa o "controle da relação com a balança" a uma redução de 1/3 no consumo global de alimentos, criando um nexo causal inexistente entre o sentimento de culpa individual e a falência da indústria alimentícia.
- Correta. O texto associa explicitamente o excesso de peso à "gula", que é um dos sete pecados capitais. Ao classificar o obeso como alguém que cede ao pecado, o discurso retira a discussão do campo médico e a insere no campo da ética e do caráter, culpabilizando o indivíduo por sua condição física.
- Incorreta. O aluno faz uma associação mecânica e positiva entre emagrecimento e demografia. Por exemplo: o aluno projeta que a "paz com a balança" reduziria a mortalidade em 20%, resultando em crescimento populacional, ignorando que o texto foca na angústia e na distorção da imagem, e não em indicadores de saúde que promovem a longevidade.