Apesar de todo o esforço em prol de um língua internacional…
Gabarito: E
O texto discute o fracasso relativo das línguas artificiais (como o esperanto) em se tornarem meios de comunicação globais. O autor argumenta que a escolha de uma língua internacional não é neutra nem puramente técnica; ela está intrinsecamente ligada às relações de poder político e econômico. Segundo o fragmento, as línguas que dominam o cenário internacional (inglês, chinês, francês, etc.) são aquelas faladas pelas nações que detêm hegemonia no sistema global. Portanto, o desequilíbrio de poder impõe a supremacia das línguas naturais dessas potências sobre qualquer proposta de língua artificial unificada.
Enunciado
Apesar de todo o esforço em prol de um língua internacional artificial, até o momento a sensação é de relativo fracasso. Praticamente nenhum país adotou o ensino obrigatório de uma língua artificial, a comunidade científica continua a se comunicar em inglês, e as línguas mais difundidas internacionalmente continuam a ser as de países política ou economicamente dominantes, como inglês, francês, espanhol, russo e chinês. Nem mesmo organismos supranacionais como a ONU e a União Europeia, onde reina uma babel de línguas, se mostraram até agora inclinados a adotar uma língua artificial. BIZZOCCH, A. Línguas de laboratório. Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br. Acesso em: 19 ago. 2011(adaptado). O esperanto, inventado no século XIX, é a língua artificial mais difundida atualmente. Entretanto, como o texto sugere, o desequilíbrio atual de poder entre os países impõe a
Alternativas
- A)
busca de nova língua global.
- B)
recuperação das línguas mortas.
- C)
adoção de uma língua unificada.
- D)
valorização das línguas nacionais.
- E)
supremacia de algumas línguas naturais.
Resposta correta
Resolução comentada
O texto discute o fracasso relativo das línguas artificiais (como o esperanto) em se tornarem meios de comunicação globais. O autor argumenta que a escolha de uma língua internacional não é neutra nem puramente técnica; ela está intrinsecamente ligada às relações de poder político e econômico. Segundo o fragmento, as línguas que dominam o cenário internacional (inglês, chinês, francês, etc.) são aquelas faladas pelas nações que detêm hegemonia no sistema global. Portanto, o desequilíbrio de poder impõe a supremacia das línguas naturais dessas potências sobre qualquer proposta de língua artificial unificada.
- Incorreta. O aluno realiza a operação de inversão lógica entre processo e resultado: ele toma o esforço inicial citado no texto pela busca de uma língua global (como o esperanto) como se fosse a consequência atual imposta pelo poder, quando o texto afirma justamente que esse esforço fracassou diante das línguas já estabelecidas.
- Incorreta. O aluno comete um erro de classificação categorial: ele associa a rejeição das línguas artificiais (línguas de laboratório) à necessidade de retornar às línguas mortas (como o latim), criando uma falsa dicotomia temporal que não está presente na argumentação do autor.
- Incorreta. O aluno confunde o objetivo do movimento esperantista com o efeito do poder político: ele assume que a hegemonia das potências levaria a uma língua unificada (objetivo do esperanto), quando o texto mostra que o poder mantém a fragmentação em favor das línguas naturais dos países dominantes.
- Incorreta. O aluno aplica uma generalização indevida: ele converte a supremacia de algumas poucas línguas nacionais (os 5 exemplos citados no texto) em uma valorização de todas as línguas nacionais de forma igualitária, ignorando a hierarquia de poder que o autor enfatiza.
- Correta. O texto é explícito ao associar a difusão linguística ao domínio político e econômico. Se as línguas mais difundidas são as de países dominantes, a consequência direta do desequilíbrio de poder é a manutenção e o reforço da supremacia de certas línguas naturais sobre as demais (e sobre as artificiais).