Em uma planície, ocorreu um acidente ambiental em decorrência do…
Gabarito: D
O para-dodecil-benzenossulfonato de sódio é um agente tensoativo (ou surfactante) sintético. A eficácia dessa intervenção baseia-se na estrutura anfifílica da molécula:
Enunciado
Em uma planície, ocorreu um acidente ambiental em decorrência do derramamento de grande quantidade de um hidrocarboneto que se apresenta na forma pastosa à temperatura ambiente. Um químico ambiental utilizou uma quantidade apropriada de uma solução de para-dodecil-benzenossulfonato de sódio, um agente tensoativo sintético, para diminuir os impactos desse acidente. Essa intervenção produz resultados positivos para o ambiente porque
Alternativas
- A)
promove uma reação de substituição no hidrocarboneto, tornando-o menos letal ao ambiente.
- B)
a hidrólise do para-dodecil-benzenossulfonato de sódio produz energia térmica suficiente para vaporizar o hidrocarboneto.
- C)
a mistura desses reagentes provoca a combustão do hidrocarboneto, o que diminui a quantidade dessa substância na natureza.
- D)
a solução de para-dodecil-benzenossulfonato possibilita a solubilização do hidrocarboneto.
Resposta correta - E)
o reagente adicionado provoca uma solidificação do hidrocarboneto, o que facilita sua retirada do ambiente.
Resolução comentada
GABARITO: D
O para-dodecil-benzenossulfonato de sódio é um agente tensoativo (ou surfactante) sintético. A eficácia dessa intervenção baseia-se na estrutura anfifílica da molécula:
- Parte apolar: A longa cadeia hidrocarbônica (dodecil) e o anel benzênico conferem caráter hidrofóbico/lipofílico, interagindo com o hidrocarboneto pastoso por meio de forças de dispersão de London.
- Parte polar: O grupo sulfonato confere caráter hidrofílico, interagindo com as moléculas de água por meio de forças íon-dipolo.
- Formação de Micelas: Ao ser adicionado ao derramamento, o tensoativo envolve as moléculas do hidrocarboneto, formando estruturas esféricas chamadas micelas. Nessas estruturas, as caudas apolares ficam voltadas para dentro (em contato com o óleo) e as cabeças polares para fora (em contato com a solução aquosa).
Esse processo resulta na solubilização (ou emulsificação) do hidrocarboneto na água, o que permite sua dispersão e facilita a degradação ou remoção.
Análise das alternativas:
- Incorreta. O aluno assume que o tensoativo atua como um reagente químico de síntese. O erro pedagógico consiste em calcular uma estequiometria de reação de substituição de 1 mol de tensoativo para 1 mol de C-H, obtendo produtos orgânicos novos, quando, na verdade, a interação é puramente física (intermolecular).
- Incorreta. O aluno imagina que o calor liberado pela dissolução do sal é extremo. Operação errada: o aluno calcula um balanço energético onde a entalpia de hidrólise supera o calor latente de vaporização do hidrocarboneto , o que é fisicamente impossível para essa classe de substâncias.
- Incorreta. O aluno confunde a natureza do reagente (detergente) com um comburente ou iniciador de chama. Operação errada: o aluno assume uma reação de oxidação completa do tipo disparada pela simples mistura em solução aquosa a frio.
- Correta. A estrutura anfifílica do para-dodecil-benzenossulfonato de sódio permite que ele atue na interface entre a água e o hidrocarboneto, reduzindo a tensão interfacial e promovendo a solubilização via micelas.
- Incorreta. O aluno inverte o efeito físico do tensoativo. Operação errada: o aluno calcula uma variação de temperatura de fusão positiva, supondo que a adição do soluto elevaria o ponto de fusão do hidrocarboneto para acima da temperatura ambiente (ex: ), tornando-o sólido, quando o objetivo é justamente dispersá-lo em fase líquida/micelar.