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— É o diabo!... praguejava entre dentes o brutalhão, enquanto…

Gabarito: C

O fragmento da obra O homem, de Aluísio Azevedo, é um exemplar típico do Naturalismo brasileiro. Esta estética literária, fortemente influenciada pelo cientificismo e pelo positivismo do século XIX, buscava explicar o comportamento humano através de leis biológicas e sociais, tratando o homem como um animal condicionado pelo meio, pela raça e pelo momento histórico (determinismo). No texto, o médico Lobão analisa a condição da mulher sob uma lente puramente fisiológica. Ao referir-se a ela como um "organismo tão rico e tão bom para procriar", ele reduz a existência feminina à sua função biológica reprodutiva. A menção aos "temperamentozinhos impressionáveis" reforça a visão de que os estados emocionais e psíquicos das mulheres eram sintomas de seu ciclo biológico ou de necessidades fisiológicas não atendidas (como a procriação), consolidando a ideia da mulher como um ser condicionado pela natureza.

Enunciado

— É o diabo!... praguejava entre dentes o brutalhão, enquanto atravessava o corredor ao lado do Conselheiro, enfiando às pressas o seu inseparável sobretudo de casimira alvadia. — É o diabo! Esta menina já devia ter casado! — Disso sei eu... balbuciou o outro. — E não é por falta de esforços de minha parte; creia! — Diabo! Faz lástima que um organismo tão rico e tão bom para procriar, se sacrifique desse modo! Enfim — ainda não é tarde; mas, se ela não se casar quanto antes — hum... hum!... Não respondo pelo resto! — Então o Doutor acha que...? Lobão inflamou-se: Oh! o Conselheiro não podia imaginar o que eram aqueles temperamentozinhos impressionáveis!... eram terríveis, eram violentos, quando alguém tentava contrariá-los! Não pediam — exigiam — reclamavam!

AZEVEDO, A. O homem. Belo Horizonte: UFMG, 2003 (fragmento).

O romance O homem, de Aluísio Azevedo, insere-se no contexto do Naturalismo, marcado pela visão do cientificismo. No fragmento, essa concepção aplicada à mulher define-se por uma

Alternativas

  • A)

    conivência com relação à rejeição feminina de assumir um casamento arranjado pelo pai.

  • B)

    caracterização da personagem feminina como um estereótipo da mulher sensual e misteriosa.

  • C)

    convicção de que a mulher é um organismo frágil e condicionado por seu ciclo reprodutivo.

    Resposta correta
  • D)

    submissão da personagem feminina a um processo que a infantiliza e limita intelectualmente.

  • E)

    incapacidade de resistir às pressões socialmente impostas, representadas pelo pai e pelo médico.

Resolução comentada

O fragmento da obra O homem, de Aluísio Azevedo, é um exemplar típico do Naturalismo brasileiro. Esta estética literária, fortemente influenciada pelo cientificismo e pelo positivismo do século XIX, buscava explicar o comportamento humano através de leis biológicas e sociais, tratando o homem como um animal condicionado pelo meio, pela raça e pelo momento histórico (determinismo). No texto, o médico Lobão analisa a condição da mulher sob uma lente puramente fisiológica. Ao referir-se a ela como um "organismo tão rico e tão bom para procriar", ele reduz a existência feminina à sua função biológica reprodutiva. A menção aos "temperamentozinhos impressionáveis" reforça a visão de que os estados emocionais e psíquicos das mulheres eram sintomas de seu ciclo biológico ou de necessidades fisiológicas não atendidas (como a procriação), consolidando a ideia da mulher como um ser condicionado pela natureza.

  • Incorreta. Atribuição de protagonismo político em vez de passividade biológica: o aluno interpreta o termo "sacrifique" como uma escolha de resistência da mulher (valor 1) contra o casamento, quando o texto indica que ela é uma vítima passiva de seu próprio organismo que não cumpre sua função (valor 0).
  • Incorreta. Confusão entre estéticas literárias (Naturalismo vs. Romantismo): o aluno associa a descrição de temperamentos "violentos" à aura de mistério e sensualidade romântica (fator de idealização). No entanto, o Naturalismo opera com a patologização do comportamento: o temperamento é lido como desequilíbrio orgânico, não como charme estético.
  • Correta. O texto explicita a visão naturalista ao tratar a mulher como um organismo biológico cuja saúde e comportamento dependem estritamente da realização de sua função reprodutora.
  • Incorreta. Erro na identificação do foco da crítica: o aluno identifica o uso de diminutivos como "temperamentozinhos" como uma diminuição intelectual (fator pedagógico), quando, na verdade, o médico utiliza o termo para diminuir a importância do psiquismo em relação à força brutal da biologia e dos impulsos nervosos.
  • Incorreta. Troca de causalidade sociobiológica: o aluno foca na pressão social (casamento como norma) em vez da pressão fisiológica (procriação como necessidade do organismo). No fragmento, o médico não critica a sociedade, mas sim o fato de a biologia feminina estar sendo desperdiçada.

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