Pode-se viver sem ciência, pode-se adotar crenças sem querer…
Gabarito: E
O texto de Marco Zingano destaca a transição fundamental operada pelo pensamento grego, especificamente com Platão e Aristóteles, que marca o surgimento da filosofia e da ciência ocidental: a passagem do pensamento dogmático ou baseado puramente em crenças para o pensamento crítico-racional. O cerne dessa mudança é a exigência de que qualquer afirmação sobre a realidade (crença) não seja aceita por autoridade ou tradição, mas sim submetida ao escrutínio da razão e amparada em evidências. Assim, a verdade deixa de ser uma revelação ou um dado imediato para tornar-se uma construção justificada logicamente.
Enunciado
Pode-se viver sem ciência, pode-se adotar crenças sem querer justificá-las racionalmente, pode se desprezar as evidências empíricas. No entanto, depois de Platão e Aristóteles, nenhum homem honesto pode ignorar que uma outra atitude intelectual foi experimentada, a de adotar crenças com base em razões e evidências e questionar tudo o mais a fim de descobrir seu sentido último.
ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2002.
Platão e Aristóteles marcaram profundamente a formação do pensamento Ocidental. No texto, é ressaltado importante aspecto filosófico de ambos os autores que, em linhas gerais, refere-se à
Alternativas
- A)
adoção da experiência do senso comum como critério de verdade.
- B)
incapacidade de a razão confirmar o conhecimento resultante de evidências empíricas.
- C)
pretensão de a experiência legitimar por si mesma a verdade.
- D)
defesa de que a honestidade condiciona a possibilidade de se pensar a verdade.
- E)
compreensão de que a verdade deve ser justificada racionalmente.
Resposta correta
Resolução comentada
O texto de Marco Zingano destaca a transição fundamental operada pelo pensamento grego, especificamente com Platão e Aristóteles, que marca o surgimento da filosofia e da ciência ocidental: a passagem do pensamento dogmático ou baseado puramente em crenças para o pensamento crítico-racional. O cerne dessa mudança é a exigência de que qualquer afirmação sobre a realidade (crença) não seja aceita por autoridade ou tradição, mas sim submetida ao escrutínio da razão e amparada em evidências. Assim, a verdade deixa de ser uma revelação ou um dado imediato para tornar-se uma construção justificada logicamente.
- Incorreta. O aluno confunde o objeto de crítica com o objetivo da filosofia. Por exemplo: o aluno atribui peso ao termo 'crenças' e peso à 'justificação racional', obtendo o senso comum como critério, quando o texto afirma que se deve 'questionar tudo o mais' para superar o senso comum.
- Incorreta. O aluno inverte a relação lógica de colaboração entre razão e experiência descrita no texto. Por exemplo: o aluno subtrai a capacidade da razão do processo de análise das evidências, operando , enquanto o texto propõe a soma .
- Incorreta. O aluno realiza uma redução epistemológica ao focar apenas na parte empírica. Por exemplo: o aluno considera apenas dos critérios (as evidências) e ignora os outros (as razões), concluindo que a experiência basta por si mesma, contrariando a necessidade de buscar o 'sentido último' pela via racional.
- Incorreta. O aluno interpreta o termo 'homem honesto' como um requisito técnico em vez de uma postura intelectual. Por exemplo: o aluno estabelece uma relação de dependência lógica onde , quando a estrutura do texto indica que a verdade racional é que se impõe à honestidade do sujeito ().
- Correta. A alternativa reflete precisamente o trecho 'adotar crenças com base em razões e evidências', o que caracteriza a busca pela verdade como um processo de fundamentação racional e rigorosa.