Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um…
Gabarito: A
O texto de Armando Nogueira é uma crônica, gênero literário que se caracteriza pela interpretação subjetiva de fatos cotidianos. A estratégia principal do autor é a personificação (prosopopeia) da bola, tratando-a como um ser dotado de personalidade e sentimentos (ela é "compreensiva", "adulta", "sapeca", "doida"). Essa escolha evidencia que o foco da mensagem não é o objeto em si (informação técnica), nem o receptor, mas sim a expressão da visão de mundo e dos sentimentos do próprio emissor. Portanto, a função da linguagem predominante é a emotiva (ou expressiva), que se manifesta na intenção de revelar a percepção sensível do cronista sobre o futebol.
Enunciado
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um ser muito compreensivo, que dança conforme a música: se está no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Gérson ou nas mãos de um gandula. Em compensação, num racha de menino, ninguém é mais sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quiçá no meio-fio, para de estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece um bichinho. NOGUEIRA, A. Peladas. Os melhores da crônica brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977 (fragmento). O texto expressa a visão do cronista sobre a bola de futebol. Entre as estratégias escolhidas para dar colorido a sua expressão, identifica-se, predominantemente, uma função da linguagem caracterizada pela intenção do autor em
Alternativas
- A)
manifestar o seu sentimento em relação ao objeto bola.
Resposta correta - B)
buscar influenciar o comportamento dos adeptos do futebol.
- C)
descrever objetivamente uma determinada realidade.
- D)
explicar o significado da bola e as regras para seu uso.
- E)
ativar e manter o contato dialógico com o leitor.
Resolução comentada
O texto de Armando Nogueira é uma crônica, gênero literário que se caracteriza pela interpretação subjetiva de fatos cotidianos. A estratégia principal do autor é a personificação (prosopopeia) da bola, tratando-a como um ser dotado de personalidade e sentimentos (ela é "compreensiva", "adulta", "sapeca", "doida"). Essa escolha evidencia que o foco da mensagem não é o objeto em si (informação técnica), nem o receptor, mas sim a expressão da visão de mundo e dos sentimentos do próprio emissor. Portanto, a função da linguagem predominante é a emotiva (ou expressiva), que se manifesta na intenção de revelar a percepção sensível do cronista sobre o futebol.
- Correta. A função emotiva é centrada no emissor e busca transmitir emoções, opiniões e sentimentos. No texto, o uso da primeira pessoa ("Já reparei") aliado à carga adjetiva subjetiva confirma que a intenção é manifestar a visão afetiva do autor sobre a bola.
- Incorreta. O aluno realiza a operação lógica em vez de . Por exemplo: ele assume que descrever a bola de forma cativante tem o objetivo de convencer o leitor a aderir ao esporte, o que caracterizaria a função conativa (ou apelativa), ausente no texto.
- Incorreta. O aluno ignora o uso de metáforas e personificações, operando a redução: . Por exemplo: ele subtrai toda a carga poética e emotiva das passagens onde a bola "corre para lá" ou "dança", acreditando que o autor está apenas descrevendo movimentos físicos de forma neutra (função referencial).
- Incorreta. O aluno associa o tema futebol a um manual de regras, operando: . Por exemplo: ele interpreta as menções ao Maracanã ou ao gandula como uma tentativa de explicar o funcionamento do jogo, confundindo crônica com função metalinguística.
- Incorreta. O aluno supervaloriza a expressão introdutória "Já reparei uma coisa", operando: . Por exemplo: ele foca apenas no ruído de contato inicial entre autor e leitor, ignorando que o restante do corpo do texto não testa a conexão (função fática), mas sim descreve sentimentos.