Se a mania de fechar, verdadeiro habitus da mentalidade medieval…
Gabarito: A
A questão aborda a transformação da função das cidades e de suas estruturas defensivas durante a Baixa Idade Média (séculos XIV e XV). Originalmente, na Alta Idade Média, as muralhas simbolizavam a autossuficiência e a busca por proteção em um contexto de insegurança e ruralização. Com o Renascimento Comercial e Urbano, as cidades deixaram de ser apenas refúgios fechados para se tornarem centros dinâmicos de troca. As muralhas não desapareceram, mas seus portões ganharam uma nova dimensão funcional e simbólica: deixaram de ser apenas barreiras defensivas para se tornarem pórticos de entrada, onde se controlava o fluxo de mercadorias e se cobravam impostos (o que explica a transição para a função de 'passagem' citada no texto).
Enunciado
Se a mania de fechar, verdadeiro habitus da mentalidade medieval nascido talvez de um profundo sentimento de insegurança, estava difundida no mundo rural, estava do mesmo modo no meio urbano, pois que uma das características da cidade era de ser limitada por portas e por uma muralha. DUBY, G. et al. “Séculos XIV-XV". In: ARIÉS, P.; DUBY, G. História da vida privada da Europa Feudal à Renascença. São Paulo: Cia. das Letras, 1990 (adaptado). As práticas e os usos das muralhas sofreram importantes mudanças no final da Idade Média, quando elas assumiram a função de pontos de passagem ou pórticos. Este processo está diretamente relacionado com
Alternativas
- A)
o crescimento das atividades comerciais e urbanas.
Resposta correta - B)
a migração de camponeses e artesãos.
- C)
a expansão dos parques industriais e fabris.
- D)
o aumento do número de castelos e feudos.
- E)
contenção das epidemias e doenças.
Resolução comentada
A questão aborda a transformação da função das cidades e de suas estruturas defensivas durante a Baixa Idade Média (séculos XIV e XV). Originalmente, na Alta Idade Média, as muralhas simbolizavam a autossuficiência e a busca por proteção em um contexto de insegurança e ruralização. Com o Renascimento Comercial e Urbano, as cidades deixaram de ser apenas refúgios fechados para se tornarem centros dinâmicos de troca. As muralhas não desapareceram, mas seus portões ganharam uma nova dimensão funcional e simbólica: deixaram de ser apenas barreiras defensivas para se tornarem pórticos de entrada, onde se controlava o fluxo de mercadorias e se cobravam impostos (o que explica a transição para a função de 'passagem' citada no texto).
- Correta. O ressurgimento do comércio e o crescimento dos centros urbanos exigiam que as barreiras físicas fossem integradas à lógica de circulação de capital e produtos, tornando os portões pontos vitais de controle alfandegário e troca.
- Incorreta. O aluno confunde o fator demográfico com a finalidade funcional da estrutura. Operação: . Embora a migração ocorresse, a transformação da muralha em 'ponto de passagem' é uma resposta institucional à necessidade de fluxo econômico (comércio), e não meramente uma necessidade física de comportar mais pessoas.
- Incorreta. O aluno comete um erro de anacronismo histórico de aproximadamente 400 anos. Operação: anos. As indústrias e parques fabris são características da Idade Contemporânea, e não do final da Idade Média.
- Incorreta. O aluno inverte a tendência histórica do período. Operação: (aumento de feudos) em vez de (declínio). A Baixa Idade Média é marcada pela crise do sistema senhorial e o fortalecimento das cidades e das monarquias nacionais, e não pela expansão de castelos feudais.
- Incorreta. O aluno confunde isolamento com circulação. Operação: . No contexto de epidemias (como a Peste Negra), a prática comum era o fechamento hermético das portas da cidade para evitar o contágio, o que contraria a descrição do enunciado sobre as muralhas assumirem a função de 'pontos de passagem'.