As relações sociais, produzidas a partir da expansão do mercado…
Gabarito: B
A questão aborda a transição do sistema de manufatura para o sistema de fábrica durante a Revolução Industrial, sob uma perspectiva crítica. O autor Edgar de Decca argumenta que a introdução da tecnologia nas fábricas não teve apenas o objetivo técnico de aumentar a produtividade, mas serviu como uma ferramenta sociopolítica de controle. Ao transferir o conhecimento técnico do trabalhador (o "saber fazer") para a máquina e para a gerência, o capitalismo promoveu a alienação. O trabalhador deixa de dominar todas as etapas da produção, passando a realizar tarefas repetitivas e fragmentadas, o que gera uma hierarquia rígida e o distancia do resultado final do seu esforço.
Enunciado
As relações sociais, produzidas a partir da expansão do mercado capitalista — e o sistema de fábrica é seu “estágio superior” —, tornaram possível o desenvolvimento de uma determinada tecnologia, isto é, aquela que supõe a priori a expropriação dos saberes daqueles que participam do processo de trabalho. Nesse sentido, foi no sistema de fábrica que uma dada tecnologia pôde se impor, não apenas como instrumento para incrementar a produtividade do trabalho, mas, muito principalmente, como instrumento para controlar, disciplinar e hierarquizar esse processo de trabalho. DECCA, E. S. O Nascimento das Fábricas. São Paulo: Brasiliense, 1986 (fragmento). Mais do que trocar ferramentas pela utilização de máquinas, o capitalismo, por meio do “sistema de fábrica”, expropriou o trabalhador do seu “saber fazer”, provocando, assim,
Alternativas
- A)
a desestruturação de atividades lucrativas praticadas pelos artesãos ingleses desde a Baixa Idade Média.
- B)
a divisão e a hierarquização do processo laboral, que ocasionaram o distanciamento do trabalhador do seu produto final.
Resposta correta - C)
o movimento dos trabalhadores das áreas urbanas em direção às rurais, devido à escassez de postos de trabalho nas fábricas.
- D)
a organização de grupos familiares em galpões para elaboração e execução de manufaturas que seriam comercializadas.
- E)
a associação da figura do trabalhador à do assalariado, fato que favorecia a valorização do seu trabalho e a inserção no processo fabril.
Resolução comentada
A questão aborda a transição do sistema de manufatura para o sistema de fábrica durante a Revolução Industrial, sob uma perspectiva crítica. O autor Edgar de Decca argumenta que a introdução da tecnologia nas fábricas não teve apenas o objetivo técnico de aumentar a produtividade, mas serviu como uma ferramenta sociopolítica de controle. Ao transferir o conhecimento técnico do trabalhador (o "saber fazer") para a máquina e para a gerência, o capitalismo promoveu a alienação. O trabalhador deixa de dominar todas as etapas da produção, passando a realizar tarefas repetitivas e fragmentadas, o que gera uma hierarquia rígida e o distancia do resultado final do seu esforço.
- Incorreta. O aluno interpreta erroneamente o termo "expropriação" como a simples falência de artesãos. Embora o artesanato tenha declinado, o texto foca na mudança interna do processo de trabalho fabril e não na cronologia das atividades desde a Baixa Idade Média.
- Correta. O sistema de fábrica consolidou a divisão social e técnica do trabalho. Ao retirar do operário o domínio do processo completo, o sistema impõe uma hierarquia onde o trabalhador é apenas uma peça da engrenagem, resultando no seu distanciamento (alienação) em relação ao produto final.
- Incorreta. O aluno inverte o fluxo migratório histórico: em vez de . Durante a Revolução Industrial, o cercamento dos campos (enclosures) e a oferta de emprego nas fábricas provocaram o êxodo rural, e não o contrário.
- Incorreta. O aluno confunde o sistema de fábrica com a manufatura doméstica ou o "putting-out system". O sistema de fábrica justamente rompe com a organização familiar e artesanal para impor uma disciplina industrial coletiva e impessoal sob o comando do capitalista.
- Incorreta. O aluno realiza uma inversão lógica de valor: associa "expropriação de saber" a "valorização do trabalho". Na lógica do texto, a perda do conhecimento técnico desvaloriza a força de trabalho, pois torna o trabalhador facilmente substituível e submetido a salários de subsistência.