Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao mercado, apuro o…
Gabarito: A
O texto de Raquel de Queiroz discute as variações linguísticas presentes em diferentes estados do Nordeste brasileiro, enfatizando que o falar nordestino não é uniforme. A autora descreve especificamente fenômenos relacionados à emissão sonora das palavras, como a sonoridade de certas consoantes e a realização de vogais em final de palavra. Os exemplos citados no fragmento focam diretamente no nível sonoro da língua:
Enunciado
Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao mercado, apuro o ouvido; não espero só o sotaque geral dos nordestinos, onipresentes, mas para conferir a pronúncia de cada um; os paulistas pensam que todo nordestino fala igual; contudo as variações são mais numerosas que as notas de uma escala musical. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí têm no falar de seus nativos muito mais variantes do que se imagina. E a gente se goza uns dos outros, imita o vizinho, e todo mundo ri, porque parece impossível que um praiano de beira-mar não chegue sequer perto de um sertanejo de Quixeramobim. O pessoal do Cariri, então, até se orgulha do falar deles. Têm uns tês doces, quase um the; já nós, ásperos sertanejos, fazemos um duro au ou eu de todos os terminais em al ou el – carnavau, Raqueu... Já os paraibanos trocam o l pelo r. José Américo só me chamava, afetuosamente, de Raquer. Queiroz, R. O Estado de São Paulo. 09 maio 1998 (fragmento adaptado). Raquel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de variação linguística que se percebe no falar de pessoas de diferentes regiões. As características regionais exploradas no texto manifestam-se
Alternativas
- A)
na fonologia.
Resposta correta - B)
no uso do léxico.
- C)
no grau de formalidade.
- D)
na organização sintática.
- E)
na estruturação morfológica.
Resolução comentada
O texto de Raquel de Queiroz discute as variações linguísticas presentes em diferentes estados do Nordeste brasileiro, enfatizando que o falar nordestino não é uniforme. A autora descreve especificamente fenômenos relacionados à emissão sonora das palavras, como a sonoridade de certas consoantes e a realização de vogais em final de palavra. Os exemplos citados no fragmento focam diretamente no nível sonoro da língua:
- A pronúncia dos no Cariri (pronúncia palatalizada ou aspirada).
- A vocalização do final em (ex: carnavau, Raqueu).
- O rotacismo (substituição do pelo ) em nomes próprios (ex: Raquer).
Essas características pertencem ao campo da fonologia, que estuda o sistema de sons de uma língua e suas variações de realização (sotaque).
Análise das alternativas:
- A) Correta. O texto foca na pronúncia e nos sons específicos (fonemas) que distinguem os falares regionais mencionados.
- B) Incorreta. O aluno realiza a operação de confusão conceitual entre som e vocabulário: ao ler o nome de uma cidade como Quixeramobim, ele assume que a variação é do léxico (conjunto de palavras), obtendo o erro de classificar a pronúncia de Raquer como uma nova palavra em vez de uma nova pronúncia.
- C) Incorreta. O aluno aplica um filtro de análise pragmática inadequado: ao notar expressões informais como a gente se goza, ele atribui o peso da questão ao registro de formalidade (coloquial vs. culto), ignorando os 4 exemplos de pronúncia técnica fornecidos no final do texto.
- D) Incorreta. O aluno confunde a estrutura da frase com a estrutura do som: ele interpreta a variação regional como uma mudança na ordem das palavras (sintaxe), mas não há no texto nenhuma evidência de inversão de termos ou mudança de regência, apenas alterações fonéticas.
- E) Incorreta. O aluno opera uma troca entre fonema e morfema: ele visualiza a troca de por como uma alteração na estrutura morfológica da palavra (formação/morfologia), obtendo uma interpretação errônea de que a palavra mudou sua classe ou raiz, quando apenas sua realização sonora terminal foi modificada.