O Egito é visitado anualmente por milhões de turistas de todos os…
Gabarito: D
As monumentais construções do Egito Antigo, como as pirâmides e templos, não possuíam apenas uma função religiosa ou funerária, mas desempenhavam um papel crucial na organização social e política do Estado teocrático. A economia egípcia era centrada no ciclo do Rio Nilo. Durante os meses de cheia, as terras ficavam submersas, impedindo a prática da agricultura. Nesse período, a mão de obra camponesa, que estaria tecnicamente ociosa, era mobilizada pelo Estado por meio do sistema de corveia real (trabalho compulsório) para trabalhar nas obras públicas. Isso permitia ao faraó:
Enunciado
O Egito é visitado anualmente por milhões de turistas de todos os quadrantes do planeta, desejosos de ver com os próprios olhos a grandiosidade do poder esculpida em pedra há milênios: as pirâmides de Gizeh, as tumbas do Vale dos Reis e os numerosos templos construídos ao longo do Nilo. O que hoje se transformou em atração turística era, no passado, interpretado de forma muito diferente, pois
Alternativas
- E)
significava um peso para a população egípcia, que condenava o luxo faraônico e a religião baseada em crenças e superstições
- B)
representava para as populações do alto Egito a possibilidade de migrar para o sul e encontrar trabalho nos canteiros faraônicos.
- C)
significava a solução para os problemas econômicos, uma vez que os faraós sacrificavam aos deuses suas riquezas, construindo templos.
- D)
representava a possibilidade de o faraó ordenar a sociedade, obrigando os desocupados a trabalharem em obras públicas, que engrandeceram o próprio Egito.
Resposta correta - A)
significava, entre outros aspectos, o poder que os faraós tinham para escravizar grandes contingentes populacionais que trabalhavam nesses monumentos.
Resolução comentada
As monumentais construções do Egito Antigo, como as pirâmides e templos, não possuíam apenas uma função religiosa ou funerária, mas desempenhavam um papel crucial na organização social e política do Estado teocrático. A economia egípcia era centrada no ciclo do Rio Nilo. Durante os meses de cheia, as terras ficavam submersas, impedindo a prática da agricultura. Nesse período, a mão de obra camponesa, que estaria tecnicamente ociosa, era mobilizada pelo Estado por meio do sistema de corveia real (trabalho compulsório) para trabalhar nas obras públicas. Isso permitia ao faraó:
- Centralizar o poder político e religioso em sua figura.
- Garantir a ordem social ao ocupar a população durante o período de entressafra agrícola.
- Promover o engrandecimento do Estado através da monumentalidade.
Análise das alternativas:
- Incorreta. O aluno aplica um coeficiente de escravidão de () sobre o contingente de trabalhadores das obras, em vez de considerar o regime de corveia. Embora houvesse escravidão (principalmente de prisioneiros de guerra), a maior parte das pirâmides foi construída por camponeses livres obrigados ao trabalho sazonal.
- Incorreta. O aluno interpreta a relação de trabalho como uma migração voluntária individual, somando trabalhadores em busca de emprego, quando a realidade era a de uma mobilização estatal coletiva e obrigatória. Não era uma "possibilidade de migrar", mas uma convocação compulsória.
- Incorreta. O aluno subtrai recursos da economia real e supõe que o gasto improdutivo gera um saldo positivo direto: . Na verdade, as construções eram expressões de poder e gasto de excedente, não uma estratégia de saneamento econômico no sentido moderno.
- Correta. As obras públicas serviam como um mecanismo de controle e organização social. Ao utilizar a força de trabalho dos camponeses no período em que as águas do Nilo impediam o plantio (período de "desocupação" agrícola), o Estado ordenava a hierarquia social e reafirmava a autoridade do faraó.
- Incorreta. O aluno projeta um anacronismo iluminista ao subtrair o fator fé do comportamento da população antiga: . No Egito Antigo, a religião era a base da unidade social; o povo via o luxo faraônico e os templos como garantias da ordem cósmica (Ma'at) e da própria sobrevivência do Egito.